Porque as bizarrices cotidianas devem ser comentadas

terça-feira, 7 de junho de 2011

Musa, tamojunta

Semana passada nossa querida Musa abriu seu coração e comentou sobre as perguntas cretinas com que somos bombardeados diariamente via Facebook. Afinal de contas o wall tá lá, né. Aberto. Para qualquer maluco mongolóide questionar o que bem entender, mesmo que não faça o menor sentido.

Tomo a liberdade de reproduzir aqui o post onde ela abordou o assunto:

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domingo, 5 de junho de 2011

 Respostas Cretinas para Perguntas Imbecis

 Amigo posta no Facebook uma foto onde ele aparece (todo paramentado de smoking) dançando com a mulher vestida de noiva. Eis que um ser humano posta, abaixo da imagem, a seguinte pergunta: "Seu casamento?"

O episódio me lembrou a seção "Respostas Cretinas para Perguntas Imbecis" da revista MAD. E me inspirou algumas soluções para tão peculiar sentença. Aí vão:


 -Seu casamento?
-Não, uma festa à fantasia.
-Não, a minha digníssima estava casando com outro. Eu era um convidado malandro que a arrastou prum cantinho do salão depois dessa contradança e destrui a união antes da noite de núpcias. O nosso enlace se deu meses depois.
- Não, montagem. Não tínhamos dinheiro pra cerimônia e um amigo bom de Photoshop fez essa pequena homenagem pra realizar o sonho da minha esposa.
1 comentários
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Como sou solidária à esta minha parceira infalível de reprise de novela dos anos 80 e prometi ser fiel na alegria e na tristeza, estou aqui para dizer que, Musa, meu bem, você não está só nesse mundo. Seu sofrimento não é isolado. Você passa por isso, eu passo por isso. Muitos por aí estão planejando respostas imbecis ou apenas um bom vaso para quebrar na cabeça dos idiotas que nos obrigam a coisas como:

a) Pessoa põe no ar um álbum intitulado "AUSTRÁLIA". Primeiro comentário: "Bahia, amiga? Que máximo!"

*Porra. Jura?*

b) Pessoa publica seu último check in efetuado no Foursquare. O sucinto texto não deixa dúvidas quanto à localização do ser. Um infeliz comenta: "Nem chamou...". O autor do post replica: "Vem pra cá". E ganha como resposta: "Pra cá ONDE?????"

*Porra. Jura?*

c) Pessoa posta "@ Rio de Janeiro". TRÊS segundos depois, aparece o primeiro comentário: "Tá no Rio?" (NÃO, TO NA PUTA QUE O PARIU DANDO O RABO PARA UM E.T.)

d) Pessoa informa que "was at Sociedade Hípica Paulista". PAULISTA. PAU. LISTA. Nego comenta: "Conseguiu sair de Buenos Aires ou ainda tá presa por causa do vulcão?"

e) Restaurante informa: "novo horário de funcionamento: terça, quarta e quinta - 19h00 às 00h00; sexta - 19h00 às 02h00". Pergunta da leitora: "O quê? Não entendi..."

ELA NÃO ENTENDEU, MINHA GENTE. Faça-me o favor.
Isso tudo não pode ser sério. Galera anda com graves problemas de cognição. Diagnosticados. A humanidade regride a olhos vistos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Moral da história

Dormir pra quê, se posso gastar esse tempo difamando minha família na internet?

Ê MAMÃ-ÃE

O que dizer de alguém que vai ao show de rock and roll do amigo, enche a cara, invade o palco e, empunhando o microfone do cantor,  puxa um refrão como "tchaaaco, eu tô em cima eu tô embaixo, ê mamã-ãe"?

Terrorista.

Meses depois você dá de cara com uma enquete no Facebook sobre momentos que marcaram a temporada de verão do estabelecimento onde tudo ocorreu. A maioria das pessoas cita a mulher maluca que invadiu o show do Nabor vestindo apenas um biquini e uma bolsa como blusa para arruinar a apresentação do cara entoando a Melô do Tchaco. De pensar que o artista foi conivente, calculem.

Certas atitudes resumem de maneira muito prática o âmago de determinadas pessoas. Agora adivinhem se a criatura em questão possui algum tipo de parentesco comigo?

Evitem envolvimento com os meus. Nós não prestamos.

Agora cante conosco:

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ainda sobre líquidos e laptops

Em minha defesa, gostaria apenas de deixar registrado que derrubei a calda quente no teclado por puro descontrole emocional. Momento de gula desenfreada, euforia, esganamento. Quer dizer, uma situação absolutamente explicável, a meu ver.

Triste mesmo foi a Karin, que estava montando uma planilha qualquer num momento inadequado, já que ela tomou tal iniciativa justamente na hora em que todas as pessoas hospedadas no poleiro da Vieira Souto decidiram tomar a primeira vódega. Largou o laptop sobre o sofá. Foi até a cozinha e pegou um copo de água. Voltou para o sofá e reposicionou o computador seguindo todas as normas de segurança. Pegou o copo na mão e, ao invés de levá-lo à boca, despejou seu conteúdo sobre o aparelho.

Teve que inventar uma história meio paranormal no TI da firma. Parece que mencionou "vozes na cabeça".

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Má que beleza

Decidi quebrar o marasmo aqui no aconchego do meu lar e concluí que o tamanho da minha larica já estava proporcionalmente equiparado à minha vontade de usar este gás encanado que acende as seis bocas do fogão ali da cozinha.

Perigo.

Se tem uma coisa que não é adequada, esta coisa sou eu manipulando ingredientes, panelas e fogo, uma vez que sou absolutamente desprovida do básico da mínima coordenação motora exigida para manusear tais elementos. Riscos: o grude ficar uma bosta; incêndio; unidade de queimados; similares.

Mas enfim, minha gula superou a parca capacidade de raciocínio que ainda possuo e decidi fazer uma calda quente de chocolate para comer com umas mexiricas que estavam dando pinta ali na fruteira e que, para ser sincera, nem desconfio como chegaram até aqui. Afinal de contas estamos falando de frutas, seres pertencentes a algum grupo alimentício solenemente ignorado por mim.

MAS ENFIM, NOVAMENTE.

Por mais incrível que possa parecer eu não produzi fogo, fumaça ou vítimas durante o processo de cocção do chocolate com leite condensado e a parada até que ficou com uma cara bem simpática. Sempre tem a primeira vez, né. Com fé, um dia a gente acerta. Chegou meu dia.

O que eu não podia prever era que, ao levar minha bandeja de frutas com chocolate para o aposento anexo e me sentar no sofá com o laptopo no colo, eu engasgaria com uma banda de mexirica e terminaria por derrubar a calda quente sobre a porra do teclado.

Daí o povo fala que perante a Deus todos nós temos vez, ou algo do gênero. To vendo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Correria

Só pra comentar com vocês que estou super bem adaptada ao tal do período sabático auto imposto em que me encontro. Sempre afirmei que conseguiria de maneira facil e indolor me adaptar ao mundo em que as pessoas nada produzem e to aqui viva para provar que minhas declarações eram verdadeiras.

Nesse frio lazaraento, então, esta fase de bundação não poderia ser mais adequada. Decisão bem genial.

Me resta agora receber uma herança, ou ter uma visão profética dos números da próxima loteria que estiver acumulada em mais de 50 milhões. Menos que isso atrapalha um pouco meus planos orçamentários para o futuro.

Se alguém aí tiver a tal visão e quiser dividir comigo, garanto um vida repleta de emoções.

Beijo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O aquém do além

Coisas que a gente vê acontecer mas fica olhando para o infinito enquanto aguarda o momento de compreensão:

Amiga compra apartamento e começa uma reforma daquelas de dar medo. Coloca tudo no chão. Transforma seu imóvel em ferro retorcido e concreto demolido. Ela anda pela rua envolta em uma nuvem de cal desde que iniciou tal obra. O interior de seu veículo foi transformado em um tanque de areia e ela até já aprendeu o macete para transportar sacos de cimento, OU SEJA: a nega está farta desse negócio de construção e não vê a hora desta porra acabar para que sua vida possa seguir em frente.

Até meados da semana passada, esta reviravolta estava muito próxima, já que o projeto havia chegado no ponto de execução. Com todas as paredes devidamente quebradas e todo o material entregue, a equipe iniciaria a reforma em si, o que possibilitaria a mudança da amiga para o raio do apartamento num futuro próximo. Ou não.

Daí que ela recebe um telefonema do mestre de obras exigindo sua presença no local. Chegando lá, é informada de que a equipe não continuará a obra porque "tem um espírito" e eles estão com medo.

Sim. Tem um espírito. Eles estão com medo. Os pedreiros.

ELUCIDANDO
Os nego pescoçaram uma conversa da amiga em que ela comentava que comprara o apartamento após o falecimento da antiga proprietária. Imediatamente concluíram que o fantasma da véia apareceria para assombrá-los. A partir de então, passaram a ouvir a porta de entrada bater diariamente ao meio-dia. Para certificar-se que o receio coletivo procedia, o mestre de obras armou tocaia por dias a partir das 11:55. Objetivo: checar se a alma bateria na porta mesmo. Porque, afinal de contas, ele não importunaria sem motivo aquela que o contratou. Ele constatou que havia mesmo um espírito e, por conta disso, nem ele nem a equipe poderiam dar continuidade à reconstrução do apartamento da amiga.

Que está esperando essa gente parar com a palhaçada antes de ser obrigada a montar barraca no vão livre do MASP por falta de teto.

E você aí, reclamando da vida. Arranja uma reforma pra aprender a dar valor, meu filho. E depois me conta.

BU!

domingo, 15 de maio de 2011

Em se tratando de bizarrices...

Quando eu falo que esse negócio de ficar em casa no sábado à noite não dá certo...é porque não dá certo. A programação televisiva nos obriga a testemunhar abissalidades apenas comparáveis àquelas que encontramos na grade projetada para o periodo de 6 ao meio dia. Atrações para gente limítrofe.

Depois da festa virtual que dei aqui em casa tendo como convidada eu mesma, assisti um belo filme que acabou agora há pouco. Daí, mudei de canal e estava passando o tal do "Eu não sabia que estava grávida".

Atentem para o caso desta senhora de nome LaSonia (típico de gente cuja mãe ouviu o galo cantar e até hoje não sabe exatamente aonde):

A pessoa tem 28 anos. A pessoa tem um marido. Ela dá para ele, é presumido. A pessoa pára de menstruar e engorda. Começa a ter desejos, asia, sangramento no nariz e manchas na pele. Sai secreção do peito da infeliz. Tontura, muita tontura. A criatura enjoa e tem vontade de fazer pipi de 10 em 10 minutos.

A barriga cresce. ELA SENTE MOVIMENTOS ESTRANHOS NA REGIÃO ABDOMINAL.

Um dia ela acorda de madrugada com a cama molhada e pensa que fez xixi nos lençóis. Logo em seguida tem a pior dor de sua vida.

CONCLUI QUE ESTÁ COM CÂNCER.

Sério gente? Sério mesmo? Câncer?? Porque eu, particularmente, nunca ouvi conclusão mais estapafúrdia do que essa em toda a minha vida.

Ai que mau humor ocasionado por imbecis, viu.

Festa Virtual de hoje

Tô cantando há horas. Beijo.




sexta-feira, 13 de maio de 2011

Toddynho no Copa - Divagando

To eu aqui sentada, consumindo vorazmente a programação do canal Viva e constatando o incontestável - estamos VELHOS, minha gente - enquanto tomo o quinto Toddynho do dia.

Tudo bem que estou passando por uma fase de ansiedade e descompensação de gênio sem precedentes, mas CINCO Toddynhos é para foder qualquer um, hein. Cinco Toddynhos aumentam a bunda de uma etíope. Cinco Toddynhos criam banhas num cabide, diz aí.

A questão é que o meu caso de amor com o Toddynho é um treco bem antigo e eu me lembro exatamente quando e onde iniciou-se. Preparem-se que a história é fina, povo.

Aconteceu na minha distante infância, em uma de minhas idas ao Rio de Janeiro com papai, mamãn e a pequenina ogra que dizem por aí ser minha irmã. Era o ano de 1837, creio eu. Meu irmão, aquele senhor sério (...) e pai de bela família nem existia ainda. Calculem em séculos o tempo que tem este evento e o porquê de eu tê-lo resgatado após os cinco Toddynhos deglutidos diante de uma programação que me apresenta atores mais velhos do que eu aos 15 anos de idade. Notem como uma coisa puxa a outra.

Hospedamo-nos no Copacabana Palace, o que naquela época era praxe. Boa época, né. Época boa mesmo essa, onde praxe era ir pro Rio e se jogar no Copa de graça, já que eu tinha meus 7 ou 8 anos de idade e quem pagava era o meu pai. Hoje tal programa já ferra um pouco meu orçamento, mas tamos aí, firrrrmes.

Daí que, fora aquela ilha de pedra mineira que tinha na piscina, a coisa que eu mais amava no velho Copa era abrir o frigobar e detonar tudo o que houvesse lá dentro. A primeira coisa em que eu pensava quando ouvia a palavra "hotel" era na geladeira. Descompensada desde sempre, percebam.

Um belo dia, eu abri a porta do frigobar e me deparei com dois Toddynhos. Eles vinham em lata, turma. Latas de Toddynho, quer coisa mais tempo do onça que isso? Tomei o primeiro e fiquei maravilhada. Abri o segundo. Estava estragado. Mas era tão bom que, do alto da minha experiência aos 8 anos de vida, decidi que era por bem consumir a parada, mesmo AZEDA. Foi.

Desde então, nunca mais abandonei o vício. E hoje estou aqui, prestes a bingar um six pack de leite integral reconstituído, cacau e gordura vegetal hidrogenada. Por essas e outras que temos esteira em casa.

Agora tchau, que nas minhas embalagens vazias tem um negócio pra recortar atrás. Parece que vira um fantoche. Vou chamar um adulto porque é a orientação que há destacada na caixa.

Beijos.

Macumba que pegou forte

Para quem achou que a minha saga da telefonia móvel estava com seu ciclo fechado:

Fui ali na padaria da rua Wisard e um SER, por cujo intelecto eu jamais gostaria de me responsabilizar, roubou a bateria do meu celular. Sim, apenas a bateria. A bateria e a tampa traseira. O celular estava lá, me esperando com chip e tudo quando cheguei para resgatá-lo após subir a rua Girassol AOS PULOS.

Mal sabe este animal que, no que depender de mim e da minha força do pensamento, seu pinto esverdeará para logo em seguida cair.

Me explica.

O que leva um ser humano a roubar uma bateria de BlackBerry? Alguém? Alguém? Alguém? Bueller?

Agora preciso ir ali comprar bateria e tampa novas. Cazzo.

E ainda houve boatos de que eu estava na melhor.

#sextafeiratrezefacts

- Alguém roubou a bateria do meu celular ali na padaria da rua Wisard. Apenas a bateria. O celular tá aqui na minha casa, olhando pra mim. Roubar baterias: esta arte eu não conhecia.

- Sim, estou sem celular. Pois é.

- Comprei uma bateria no Mercado Livre. Paguei via débito automático. O dinheiro saiu da minha conta. O dinheiro não aparece na porra do Mercado Livre.

- O Blogger tá sumindo com meus posts de maneira aleatoria.

- Meu carro foi para a oficina devido à explosão da embreagem. Estou sem carro até o final do dia.

- O cara da oficina acaba de me informar que meu carro não ficará pronto. Começou o engrupimento.

- Estou sem celular

- Estou sem celular

- Estou sem celular

Daí eu tenho que aguentar trocentos nego postando no Facebook que "oba, hoje é sexta-feira 13, meu dia de sorte".

Me poupem. Valew.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aconteceu comigo

Vamos supor que um dia você acorde e constate que está com tempo livre. Ou que se sinta largado às traças numa noite qualquer. Ou ainda que se veja sem destino nem expectativas reais para o dia de amanhã. Aqueles momentos em que pinta um vazio e você fica, assim, sem um futuro nítido pela frente. Sabe?

Tome um calmante, abra uma cerveja, pratique alpinismo. Bata um bolo, leia a Bíblia, estude mandarim. Corte cana, auxilie alguém que esteja com o caminhão emperrado na ladeira, arranje uma lata de tinta branca e pinte seu corpo inteiro no estilo "Timbalada". Isso, EMPURRE o caminhão ladeira acima.

QUALQUER COISA.

Só não invente de caçar algum armário adormecido na sua casa para arrumar. Arrumar armário, não.

Contar pra vocês que na última vez que tomei esta decisão de corno - porque só cornos patológicos em estado terminal tomam decisões dessa espécie - transformei minha casa em um cenário de Hoarders - A série.

Olhei para o armário e pensei: "Hmmmmm, bagunçadinho, hein? To de bobeira, vou dar uma ordem nessa merda aqui." A partir daí fui engolida por pilhas e pilhas de COISAS que começaram a se multiplicar e tomar todo o ambiente que me rodeava.

Quando tudo já estava devidamente jogado no chão, concluí que aquela quantidade de itens não caberia JAMAIS dentro daquele espaço novamente. Jamais. E daí  pus-me a perguntar: em qual momento da vida foi que eu virei as costas para a tão aclamada teoria do caos? Siga esta corrente e tenha uma vida próspera e feliz. Ponto. Mané arrumar armário terça de madrugada, gente...o que uma pessoa ganha com isso, exceto um trauma? Nada.

Tomada pelo pânico, constatei que aquele amontoado de coisas seria capaz de coisas impensáveis. Já conseguia enxergar a mim mesma de cabelo CRESPO tamanho o esforço necessário para organizar novamente o bololô. Pensei que, se decidisse por arrumar de fato aquilo tudo, voltaria a dormir apenas em 2013, segundo um cálculo que fiz usando como base a regra de três. Ficou bem próximo do resultado real, acreditem.

Foi quando decidi socar para dentro das seis portas tudo o que nunca deveria ter saído de lá. Vai que numa dessas eu abro um portal pra sétima dimensão e termino dentro de uma árvore, toda melecada de geleca? Tá doido? Juro que esperava encontrar a Carol Anne ali atrás das malhas de lã, mas esse não me pega. Conheço muito bem o caminho entre a televisão e a árvore, meu filho. E ele passa pelo armário que eu sei.

Conclusão: estava bagunçado. Agora fodeu de vez. Simples assim.

Colarei post its nas portas aqui de casa com os dizeres "nem pense em tentar arrumar, desgraçada". E seguirei meu destino na trilha do sucesso.

SERIO.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mais um conto Caraivano. Ou: "JOGUE ÁGUA NELA"

Essa história não é minha. Essa história é da minha irmã Gabi, que lá na antiguidade teve o bom gosto de decidir passar anos de sua vida enfiada em Caraíva, com a bunda cravada na beira daquele rio, colhendo material para a gente colocar nessa trolha aqui.

A coisa foi mais ou menos assim:

Gabi residia em uma bela casinha amarela e tinha como vizinha a amiga Ducarmo. Elas eram muito felizes naquela vida sem muros, onde se você decidisse colocar fogo em seu quintal para espantar formigas, por exemplo, a chance de matar seu vizinho tostado em estilo pururuca era imensa; aquela vida sem fronteiras, onde mesmo sem querer, você obrigatoriamente tomava conhecimento sobre o que se passava no lar adjacente; aquela vida linda, onde você de repente começava a ouvir a cantoria da querida Edith no meio do dia......e tudo permanece assim, até hoje, essa imensa bola de amor.

~~~~voltando pro corpo após breve devaneio~~~~

Um belo dia, Ducarmo alugou sua casa e pessoas que Gabi jamais havia visto na vida chegaram em Caraíva. E se instalaram ao lado de sua casinha amarela. LEGAL.

Daí que Gabi tá lá, naquela correria de Caraíva, alternando atividades como olhar para o teto e coçar o dedão do pé, quando começa a ouvir gritos de horror:

"AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!" - [mulher. grito agudo de pavor]

Gabi dá um salto. Pensa por um segundo e conclui que estão ASSASSINANDO alguém ali em frente. Outro grito, ainda mais assustador que o primeiro:

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!"

Ela pára de coçar o dedão e assume posição de alerta. Decide prestar atenção, no sentido de estabelecer a localização exata da provável vítima de escalpelamento. A partir daí ela ouviu esta sequência de gritos entre a criatura histérica e um outro ser humano que a instruía na tentativa de acalmá-la:

"PARE DE GRITAR!" - [voz de homem, forte sotaque baiano. gritando, porém falando lentamente]

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!"

"PARE DE GRITAR!"

"AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!"

"JOGUE ÁGUA NELA!"

"AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!"

"JOGUE UMA TOALHA NELA!"

"AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!"

"PARE DE GRITAR!'

Os gritos pioravam. O descontrole da mulher aumentava.

"JOGUE ÁGUA NELA!"

Mais gritos. Ainda mais altos. Gabi pensando em invadir. Ela acabara de constatar que os berros vinham mesmo da casa de Ducarmo.

"PRESTE ATENÇÃO! PARE DE GRITAR! JOGUE ÁGUA NELA!"

Gritos horríveis, incessantes

"JOGUE UMA TOALHA NELA!"

E essa conversa estendeu-se por muito tempo. Gabriela curiosíssima, maquinando sobre o que poderia ter causado tamanho furdunço sob o céu de estrelas.

Quando os nego decidiram parar de gritar, ela foi averiguar o caso. Mesmo porque seria necessário certificar-se de que o Jason ou algo do tipo não havia de fato passado por ali. Questão de garantia de vida e tal.

O ocorrido:

A pessoa aportou pela primeira vez em uma cidade onde não há calçamento, nem energia elétrica, nem uma cidade em si, para ser exata. Um lugar onde a fauna é dominante. Um perímetro que nos mostra didaticamente o conceito de "A Natureza é Hostil ao Homem".

Porque eu mesma já cheguei em Caraíva pela primeira vez muitos e muitos anos atrás, e garanto que muita gente pensa em ir embora, ou comprar Baygon e um facão, sei lá. Não foi meu caso, mas isso não vem ao caso [ui].

Bem. A tal figura instalou-se em seus domínios baianos e decidiu tomar um simples banho. Entrou no banho. Junto com ela entrou uma aranha de 20 centímetros de circunferência e 10 centímetros de altura. Sim, este bicho existe e já me atacou lá mesmo. Foi isso. Essa gente não tem pedigree para viver uma temporada que seja em Caraíva, te contar viu.

A partir de então, sempre que nos deparamos com alguma crise, independente de sua natureza, o comentário inicial é:

"JOGUE ÁGUA NELA" - com sotaque.

**Este post é dedicado à Red. Foi por causa de alguma besteira protagonizada por ela que nos lembramos desta história que havia tanto tempo, habitava a parte mais empoeirada de nossos cérebros senis.

Sobre o Casamento Real

Sem desmerecer a importância do evento, já que é o que vai nos livrar de ter Camilla como rainha consorte, mas...

Alguém aí tá aguentando a onipresença de William, Kate, Charles e da falecida? Porque eu não posso mais ligar minha televisão sem dar de cara com um desses caboclo. Animal Channel: tá lá o Charles. ESPN: William. Qualquer canal: a morta. Abra a porta da minha geladeira e quem tá lá dentro, sorrindo? A menina Middleton.

Tem como ir pra Lua e voltar em julho não, né? Mesmo porque, eu não sei vocês, mas EU não vou assistir cerimônia nenhuma. Já vi a da Diana e não pretendo usar o horário em que normalmente inicio meu período de sono e repouso corporal para ver casamento de terceiros. Pela TV. Não, fora de questão.

Isso tudo sem considerar o fato de que eu não mereço ter a cara de Charles aparecendo em flashes sequenciais na minha vida. Isso dá ataque epilético e convulsões. Nego precisa de uma bela catarata para observá-lo diariamente sem sequelas. O mesmo vale para aquele vestido de noiva medonho de lady Di.

Sou sensível.

Passa casamento, passa. Como disse o @bomdiaporque, e o Divórcio Real, quando vai ser?

Pânico e tumulto no meu cérebro

Bom, gente. hoje a Camila Morgado apareceu no Saia Justa usando isso aqui:


Daí todo meu sistema nervoso e motor entrou em colapso porque:

1- Eu preciso dessa tiara

2- Eu não sei onde comprar, NÃO SEI DE ONDE ELA VEIO.

É isso. Se alguém tiver esta, que atualmente é uma informação vital para mim, fineza entrar em contato. Conto com vocês, seres maiorais, infinitamente mais orientados do que eu, que conhecem a procedência da paradinha aí do cabelo.

"CRIANÇA DOENTE - Recompensa-se bem"


Só pra constar

Que meu carro ficou 2 meses arrumando depois que uma palhaça destruiu minha traseira na Henrique Schaumann PARADA e a oficina me entregou o tal veículo sem água, óleo, combustível. A única coisa que veio COM, foi com um pneu rasgado.

Esclarecendo: apenas espero que meu carro contenha combustível e fluidos ao sair da funilaria pois, se não me falha o raciocínio lógico, ao retirá-lo de lá preciso sair ANDANDO nele. Faz sentido? Pergunto porque o mundo anda me confundindo, assim, no todo.

Longe de mim abusar daqueles que me prestaram serviço em tempo recorde. Em atraso, que fique claro. Dez dias transformaram-se em dois meses, mas o que vale é quebrar recordes, diz aí.

O carro não tinha uma gota de gasolina, como fui informada pelo ilustre ser humano que me atendeu na ocasião. Informação esta, endossada pelo computador de bordo da bagaça, que marcava: "autonomia - 0", piscando amarelo na minha cara. Diante disso, dirigi até uma ladeira e desci em ponto morto até o posto do fim da rua. Abasteci o tanque e fui. Blasfemando.

Duas esquinas depois a porra do carro FERVE. Deus, com pena (ou medo) de mim, plantou um outro posto de gasolina ali bem ao meu lado. Após aguentar a cara de desprezo do frentista, que certamente me julgou uma imbecil sem precedentes por andar num carro sem água e - SURPRESA - sem óleo, segui meu caminho. Continuei blasfemando, porque GENTE. Pensa.

Uns 100 metros depois, me pára um Monza hatchback, ou algo do gênero, ao meu lado e noto o cara sentado no banco do co-piloto aos berros. A coisa era comigo. Ele gritava loucamente:

"Tia!!!!! Ô tiiiiaaaaaaaaaa!!!!! Seu pneu tá furadoooo! TIIIAAAAAAAA!!!!!"

TIA. SEU. PNEU. TÁ. FURADO.

Retornei para o posto de onde acabara de sair. O segundo posto. Não havia borracheiro naquela birosca lazarenta. Pedi para encher o pneu. O frentista passou a me desprezar de maneira infinita, eu sei.

VOLTEI para a avenida. O pneu estava rasgado e esvaziou em 10 minutos. Achei uma borracharia. A esta altura eu já estava em pleno Sacomã, olha que beleza, né. Tudo o que a gente pede aos céus para um final de tarde mágico.

Parei no estabelecimento mais suspeito do Estado de São Paulo e pedi para o responsável (?) dar um jeito naquilo. Segundo ele, fiz muito bem em parar. Se não o fizesse naquele momento "ia zuar minha roda, mano". Esses moleques não sabem que dirijo há 20 anos e que tudo aquilo tratava-se de um ebó mal despachado. Pelo menos foi esta a única explicação plausível para a sequência de fatos que acontecia ali.

O ESTEPE ESTAVA FURADO.

Mandei arrumar o pneu e ensinei o mino do Corsa tunado ao meu lado a mandar fotos pelo WhatsApp. Amizade sincera a gente constrói assim, na miséria. Na tragédia. Ele me adicionou no WhatsApp. Sim. Ficou ali ao lado aguardando a confirmação. Somos oficialmente amigos desde aquela sexta-feira treze.

Não mandei arrumar o estepe pois àquela altura queria testar até onde iria o poder da zica. Mas, incrivelmente, nada mais me aconteceu. Talvez a bigorna que caiu no meio da Marginal Pinheiros fosse para mim, mas ó: me safei.

Amanhã vou mandar arrumar este estepe. Porque parece que meu anjo da guarda foi pra Londres ver o casamento de Lady Kate e eu não estou pretendendo interagir com empresários do ramo de manutenção automotiva.

Era isso.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Coisas de Astolfo

Meu irmão é muito engraçado. Mas muito engraçado mesmo. A gente se mata de rir com ele. Rodolfo é daqueles caras que tem trejeito engraçados, de manias engraçadas, que nunca faz uma piada pra ser engraçadão. Nunca. O jeito que ele ri de qualquer coisa, o modo como ele fala com alguém, um gesto que ele faça em qualquer situação banal é o que nos faz rir até morrer.

Quem não o conhece talvez não consiga visualizar a cena. Mas quem já o viu em ação vai OUVIR ele falando aqui:

Domingo passado fomos num japa pois foi aniversário do nosso cunhado e como bom menino gordinho que é, Lulis resolveu comemorar a data empanturrando-se de peixe cru e similares. (aqui temos um pouquinho de Lulis, apenas uma breve amostra)

Daí que estava aquela zona pois somos uma família de pessoas grandes e ruidosas. Nossa mesa normalmente já é uma putaria. Some-se a isso a presença de SamSam e Dani, agregadas que também se comunicam usando três tons acima, e do filho de 2 anos do Rodolfo, o Francisco.

Quer dizer: 7 adultos estabanados e uma criança de 2 anos de idade numa mesa com hashis, shoyu, molho de tempurá, de soba, tarê, chapas de robata, ou seja, tudo o que dá merda. Estava uma zona. Sabe aquela mesa sobre a qual normalmente comentamos em restaurantes? Aquela mesa sobre a qual falamos: "Isso é lugar de trazer criança, gente?" Pois é. Éramos nós. Aliás, desde que começamos a circular com meu sobrinho por aí estamos pagando a porra da língua, porque vou te contar que se tem um treco que gera vexame é criança em restaurante. Pusstasmerdas, me lembro de todos que xinguei até hoje. Foi mal aê hein galerow.

Iniciou-se um debate sobre o que mais pediríamos, já que havíamos atacado a primeira leva de comida de forma que o pobre do sushi não teve nem chance. Utilizamos o estilo viking, foi. Meio viking meio visigodo, para ser sincera. Um horror que, graças a Deus, mamãe não presenciou. Ela comentaria pelos próximos 25 anos, mas enfim. 

"Vamos pedir mais um combinado desse aqui para 75 pessoas, vamos pedir mais um tempurá, vamos pedir mais dois grelhados"

Rodolfo interfere na deliberação:

"Vamos pedir mais hot rolls e mais enguia [UNAAAGIII] pois este tarê está especialmente bom e estou numa fase super tarê. To na onda do tarê"

Todos concordam. Chamamos o garçom e fazemos os pedidos. Ao final, Rodolfo emenda:

"Mas você poderia trazer, além da porção de tarê que vem em cada prato, uma porção extra para mim? Só para mim?" [o cara concordando, fazendo que sim com a cabeça, mas sem conseguir falar porque quando eu digo que o Rodolfo EMENDA, estou falando de alguém que não dá chances ao interlocutor]

"Para mim, só para mim, sem eu ter que dividir com NINGUÉM. Porque isso é MUITO importante para mim. Muito. Eu gosto muito de molho tarê. Muito. MUITO. MUITO. Eu PRECISO de tarê aqui no meu prato, é uma coisa doente. Trazendo este tarê extra você me ajuda MUITO. Isso é muito importante para mim. MUITO. MUITO. Muito importante. MUITO."

E o nego lá, sem saber se ficava mais chocado com a gritaria, com a quantidade de comida, com a criança quebrando tudo ou com o psicopata que fazia o pedido.

Sério, não andem com a gente. Não vale a pena.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Coadjuvante só se dana.

Gente, não surtem. Não estou aqui fazendo chacota do suicídio de Cibele Dorsa. Mesmo porque eu a conhecia havia bastante tempo e, apesar de não termos sido amigas, apenas conhecidas, ela sempre me foi de agradabilíssima convivência. E é isso. E também não vou ficar falando de suicídio duplo por aqui pois considero o assunto muito hardcore para esta bodega.

Mas diante de tudo o que foi divulgado, não posso deixar de comentar a entrevista "pré-Jerônimo" concedida por ela ao TV Fama, através da qual o mundo inteiro tomou conhecimento dos motivos que levaram seu falecido noivo a atirar-se prédio abaixo, além de detalhes sórdidos da malfadada noite.

Resumindo bastante, ela conta que o trágico acontecimento deu-se por um ataque doentio de ciúmes na ocasião em que eles faziam uma suruba com uma moça. Uma profissional contratada pelos próprios.

Daí olha o que acontece: a mulher chega lá, o casal que a chamou tá esperando, ela mesma já está felizona pois a féria do dia garantiu-se e, assim que começa a executar o serviço para o qual foi escalada, seu empregador sai correndo e pula pela janela.

PENSA NA CARA QUE ESSA PUTA FEZ, MEU DEUS DO CÉU. PENSA.

(E aposto que nem adiantado essa mina recebeu. Insalubridade, nega. Periculosidade.)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Descobri TUDO

Vamos fazer uma conta rápida: quantos brasileiros, num grupo de 100, já se foderam por causa da NET? 97? 98? Todos? E quantas vezes por mês esta joça ferra a gente? Pensa aí. Considerem que estou falando aqui APENAS de Virtua. Vou deixar de lado problemas menores como TV e telefone. Afinal de contas, QUEM precisa deles, né? Náááá, pra quê? Detalhes inexpressivos.

Daí né, que a gente sabe que mente vazia é oficina do demônio e eu to aqui sentadinha no meu canto olhando pro teto quando Carlota posta a seguinte mensagem no nosso grupo de discussão da novela Vale Tudo no Facebook:

"Gente, a internet aqui tá o cu do palhaço. Se eu ñ estiver, fui socar alguém da NET."

Só nesta semana uns 5 membros do referido grupo ficaram sem internet porque o Virtua simplesmente PAROU de funcionar. Inclusive eu. Ainda bem que temos as conexões móveis de nossos telefones, né. Imagina se não houvesse alternativa. Porque estamos falando aqui de gente viciada, gente doente, que tem forum de discussão de reprise de novela dos anos OITENTA do século passado, compreendam.

Agora vejam se não faz sentido isso aqui que andei pensando:

[Se não fizer, por favor, não mandem me internar não. Sou mansa, juro, pode perguntar pro meu porteiro aqui do prédio]

EU acho que a NET é uma daquelas organizações malignas que vieram do futuro pois seus cientistas descobriram que o mundo em que eles vivem está destruído e sem oxigênio ou água potável devido à degradação do meio ambiente causada pelos próprios humanos. Os humanos que viveram no passado. Tipo NÓS, no caso.

Como eles estão lá ferrados, vivem em bunkers, nunca viram o sol ou o mar, mas possuem tecnologia suficiente para voltar no tempo e reverter esta merda toda, eles criaram este sistema para eliminar o excesso da população mundial. As pessoas contratam seus serviços e, inexplicavelmente, começam a morrer do coração, de derrame cerebral, overdose de calmantes, câncer e por aí vai.

Diminuindo consideravelmente o numero habitantes do planeta de maneira 'limpa", sem deixar pistas, eles entram com um ataque mais agressivo, exterminando aqueles grupos que por algum motivo não têm acesso aos seus cobiçados serviços. Porque banda larga é banda larga né gente.

Deixarão vivos apenas seus antepassados, garantindo assim sua existência no presente que os pertence. Óbvio.

Mas para levarem o genial plano a cabo terão que lutar contra um tipo de exército composto por pessoas dispostas a EXPLODIR suas sedes com TODO MUNDO dentro, inclusive aqueles imbecis do atendimento ao IDIOTA do cliente. Podemos chamar este grupo de "Resistência".

Parece que já vi isso em algum lugar, cinema talvez, não tenho certeza de que minha idéia é original. Tudo o que sei é que Arnold está no Brasil. Olha o sinal aí.

terça-feira, 22 de março de 2011

O Camarote da Brahma e suas histórias

INTRODUÇÃO

Não sei se é do conhecimento geral da nação, mas eu e mais um bando de desocupados sociopatas criamos no Facebook um grupo para discutir a novela Vale Tudo. Porque, além de antigos, somos TEAM ODETE e não vemos a hora da Heleninha dançar novamente aquele mambo bem caliente.

O procedimento é o seguinte: antes de começar Vale Tudo já estamos todos online para falar mal de A Muralha, que é um pé no saco e só tem índio, padre e gente suja com cor de tijolo e atitudes pífias. Nada que se compare a uma Maria de Fátima e César Ribeiro, uma Helena versus Ivan, uma Celina com Odete. Isso sem citar Marco Aurélio berrando pela TCA.

Quando nossa atração entra no ar, concentramo-nos em comentar frases, roupas, trilha sonora, cenas bizarras, detalhes importantes ao longo do capitulo. Logo que o mesmo chega ao fim, a conversa desvirtua e passamos a falar mal uns dos outros, combinamos eventos movidos à álcool, criticamos o resto do mundo e, infalivelmente, entramos em reminiscências.

A HISTÓRIA EM SI

Daí que a partir de um dos tópicos da discussão do capítulo de hoje, iniciou-se uma conversa paralela sobre minhas peripécias cariocas, a maioria delas ao lado de SamSam, e o rumo que o assunto tomou me levou a uma lembrança que eu não tinha: o dia em que uma conjunção do cosmos juntou a mim e Sam, Jean Paul Gaultier e um tubo de lança perfume sem fim acompanhado de sua dona, cujo nome não falo nem sob tortura, no camarote da Brahma na Sapucaí.

Não me entendam mal: eu não fiz uso de lança perfume nenhum porque não mexo com tóchicos, doutor, só encho a fuça de mé mesmo consumo drinks ocasionalmente e Jean Paul, coitado, não entendia nada do que estava se passando porque, em um momento ele estava ali, vendo a Mangueira entrar, tomando chopp até sair pelo olho e provavelmente achando aquilo tudo muito, hã, exótico, digamos assim, e logo em seguida.......o pobre já estava cercado por duas loucas - sendo que uma era eu e a outra, naturalmente, SamSam - disparadas numa conversa sem pé nem cabeça com o homi como se tivéssemos feito o ginásio e colegial juntos. Amicíssimos, uma coisa louca. A verdade é que determinadas ocasiões fazem com que eu e Sam tenhamos esta necessidade de interagir com desconhecidos. Se os desconhecidos forem celebrities então, meu filho, segura que o amigo é nosso.

Ele provavelmente pensava "O QUE EU FIZ DA MINHA VIDA? QUEM SÃO ESSAS PESSOAS? POR QUÊ VIM AO RIO? QUERO MINHA MÃE!" mas agia normalmente, até entubou nossas piadas, fez chacota de quem estávamos fazendo, jogou gelo em quem jogávamos, cantou o samba enrendo, essas porras todas. Quase matamos uma mulher que havia feito uma cirurgia na coluna e estava empoleirada na janela que ocupávamos no camarote. Bateria passa, aquele povo anima, Jean Paul dá uma COTOVELADA na convalescente e quase a derruba para baixo, mas convenhamos, camarote na avenida não é exatamente o programa ideal para quem operou a coluna vertebral, né mesmo, minha tia? Parece que a tal senhora sobreviveu sim. Também, se morreu, faz tanto tempo, que ó: nem ela lembra, garanto.

Tudo ia muito bem. Já tinha pra mim que passaria a próxima temporada européia hospedada no fantástico apartamento de Jean Paul na Avenue Foch e que ele desenharia modelos inspirados em minha pessoa, para logo em seguida presentear-me com tais peças.

Eis que surge um terceiro elemento NAQUELE estado portando o tal tubo de lança perfume. Aproxima-se de nossa roda e ENFIA o recipiente goela de Jean Paul Gaultier abaixo que, ninjamente, se desvencilha da criatura desgovernada. Fino, agradece. Compreende que trata-se de algo alucinógeo e diz que tá bem cas breja. Fofamente.

A pessoa doida insiste. Jean Paul recusa novamente. A criatura transtornada mostra para Jean Paul que ela mesma está consumindo a substância, provavelmente para provar a ele de que não se tratava de algo letal. E ele novamente diz que não quer, PORRA.

Foi então que a nega começou a argumentar:

"Jean, do you want to try this?"

"No, thanks"

"Here in Brazil is called lança perfume" [embaralhando tudo, falando tudo torto, falou lança perfume separando as sílabas]

"Really? Nice, but thank you, thank you very much, i'm having some drinks and...."

"JEAN, listen to me: this is a very light drug, don't you want to...." [espirrando lança na CARA do francês]

"No, no. No, thanks. I don't want your drugs, thanks" [limpando os olhos. quase cego]

"But you are not listening to me....this is a very very very very very very very very very light drug..."

"No, thank you."

"Very very light. Yes or no?"

"Nooooooooooooooo"

"Very very very very very very light..........."

Estranhamente nunca mais tivemos notícias de Jean Paul. Só aquelas que nos chegam via Caras, às vezes. O colego sumiu na fumaça, parece que traumatizou-se. Já a cheiradora de lança, essa tá sempre aí viu.

Esse meu povo não é bom da cuca não.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Cenas de um almoço quase familiar

Você está lá, almoçando em relativa paz. Vem um cara e te pergunta "oi, você quer mais caipirinha de lima". Você diz que sim, desde que ele não entoche a bebida de açúcar. Nego vai lá e faz. Volta com aquela jarrona bonita, transbordando vodka, lima da pérsia e cubos de gelo.

Você toma um gole e o treco está doce num ponto de doer o osso do maxilar, o que te faz questionar a criatura sobre a quantidade criminosa de açúcar que ele teria colocado ali na mistureba.

RESPOSTA:

"Não coloquei açúcar não. A lima é que estava PODRE, pode ir lá na cozinha ver"

A LIMA ESTAVA PODRE

Pelo amor de Deus.

Quer dizer: a pessoa viva me dá um treco podre para beber e acha normal. Preciso rever urgentemente o status de cada integrante deste meu - nem tanto - seleto círculo.

Rolam as pedras

Sinais de que seu fim de semana foi hardcore:

Você vai assistir ao desfile das campeãs na sexta-feira e no sábado descobre em seu celular uma foto ao lado de um espantalho com cabeça de ABÓBORA feita já com o dia claro.


Maria Eugênia não morreu

Ao tentar levantar da cama no sábado à tarde tudo gira como se você estivesse em um rodamoinho marítimo que te sugasse para as profundezas do oceano bem ali no triângulo das bermudas. Você conclui que trata-se de uma crise de labirintite ou algo do gênero. Seu cérebro está comprometido. Tu pegou labirintite de tanta Nova Schin que enfiou goela abaixo, MANO.

Ainda no sábado, você vai a um almoço na casa de um amigo e presencia o momento em que todos os estoques de álcool da residência se findam. Inclusive determinada caipirinha podre que comentaremos num futuro próximo.

No domingo à tarde você acorda com duas novas tatuagens no braço direito. E uma peruca de samambaia.


Ma oe, o colega tem uma máquina de tattoos de verão

Gente, não andem comigo, não sou boa companhia.

Jujuba com Limão

Quando você acha que já viu de um tudo nessa vida.
Quando você pensa que conhece seus amigos e o potencial criativo de cada um deles.
Quando você está certa de que nada mais vai te surpreender nesta esfera.

Daí vem uma tarde chuvosa de terça-feira e você lá, enrolando a vida pra não ficar ainda mais puta com uma dor de cotovelo monstra que a persegue, decide dar um UOOEE nos Facebook e dá de cara com a mais nova obra produzida por um de seus calegas.

Vocês eu não sei, mas EU estou rindo até agora. Por favor, apreciem:



Virei Jujubeira. Aplausos.

Rafa, ARRASOU. Salvou meu dia. Pense que estou fazendo um coração com a mão pra você.

domingo, 13 de março de 2011

As coisa que irrita a calega

Tipo:

Há três travessas sobre uma mesa. Uma contém um fusilli. Na outra encontramos um capeletti ao molho branco. A terceira nos apresenta algo que claramente é um raviolli. Daí eu pergunto para a criatura responsável pelo rango:

"O que é isso?"

Meu interesse, OBVIAMENTE, era obter informações sobre recheios, molhos, alegorias, adereços, essas coisas de gente que tá interessada em comer a parada.

RESPOSTA:

"É fusilli, capeletti ao molho branco e raviolli"

Daí nego tem a ousadia de reclamar das minhas grosserias.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Kibando loucamente

Descontrolei, uma força maior me tomou. Pode ser o tal do bloqueio criativo. É que certas coisas são boas pra caralho - aproveitando o mote - e hoje me deu coceira de publicá-las aqui. Porque o broguis é meu, né, então eu dano essa bagaça sem o menor vestígio de remorso. "It's good to be the king". Vamos tacar conteúdo véio e de propriedade alheia nessa joça.

Essa parada aqui já foi atribuída ao Veríssimo, ao Millôr e mais umas 400 pessoas, mas ouvi dizer que trata-se de um texto de Pedro Ivo Resende. E estou super crendo nesta informação. To repassando e tudo mais, percebam. Eis o que tomei emprestado do colego:


O direito ao palavrão



Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.


‘Pra caralho’, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que ‘Pra caralho’? ‘Pra caralho’ tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?


No gênero do ‘Pra caralho’, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso ‘Nem fodendo!’. O ‘Não, não e não!’ e o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ‘Não, absolutamente não!’ de modo algum o substituem. O ‘Nem fodendo’ é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo ‘Marquinhos, presta atenção, filho querido: NEM FODENDO!’. O impertinente se manca na hora e vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.


Por sua vez, o ‘Porra nenhuma!’ atendeu tão plenamente às situações em que nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um ‘é Ph.D. porra nenhuma!’, ou ‘ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!’. O ‘Porra nenhuma!’, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.


São dessa mesma gênese os clássicos ‘aspone’, ‘chepone’, ‘repone’ e, mais recentemente, o ‘prepone’ — presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um ‘Puta-que-pariu!’, ou seu correlato ‘Puta-que-o-pariu!’, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um ‘Puta-que-o-pariu!’ dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça. E o que dizer de nosso famoso ‘Vai tomar no cu!’? E sua maravilhosa e reforçadora derivação ‘Vai tomar no olho do seu cu!’. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: ‘Chega! Vai tomar no olho do seu cu!’ Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor íntimo nos lábios.


E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do português vulgar: ‘Fodeu!’ E sua derivação mais avassaladora ainda: ‘Fodeu de vez!’ Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa.


Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? ‘Fodeu de vez!’ Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de ‘Foda-se!’ que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ‘Foda-se!’? O ‘Foda-se!’ aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. ‘Não quer sair comigo? Então foda-se!’ ‘Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!’


O direito ao ‘Foda-se!’ deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, Igualdade, Fraternidade e FODA-SE.’

Falou tudo, negô. Voltarei com o conteúdo original o mais breve possível.

Bicha

Então, né, que eu to lendo o livro do Ricardo Amaral e ando meio chocada porque é fácil de achar ali vários fatos que presenciei, o que indica claramente que estou VELHA.

Mas não estamos aqui para falar sobre minha idade avançada. Estamos aqui para reproduzir um texto do Tarso de Castro originalmente publicado numa edição de O Pasquim em 1795 que o próprio Ricardo Amaral enfiou no meio do seu Vaudeville. Discípula de benlocos que sou, desnecessário explicar que cultuo esta figura. E acho isso aqui ótemo:

"Millôr Fernandes chegou da Europa e é bicha: Martha Alencar é bicha e o marido dela, o Hugo Carvana bicha; o Sérgio Cabral, por sua vez, tem vergonha, acha que pai de família não deve confessar isso mas eu sei é bicha; o Paulo Francis, que fica fazendo aquele bico, é bicha; o Chacrinha, nem se fala, é bicha; o Gérson mesmo jogando pra burro, é bicha; o Fortuna é bicha, bicha declarada, o Armando Marques é bicha; a tia da namorada do Denner é bicha; a namorada do Denner é bicha; o Denner é bicha; o Edvaldo Pacote é bicha, a Gal Costa é bicha; a Elis Regina é bicha; o Nelsinho Motta é bicha; os Luiz Carlos Maciel são bichas, os Monteiro de Carvalho são bichas; os Monteiro de Carvalho são bichas, menos um, por falta de tempo, o Ricardo Amaral é bicha; aquele amigo do Ricardo Amaral é bicha; o Jaguar é bicha; o Jaguar é bicha; o Jaguar é bicha; o Jaguar é bicha; o meu contrabandista é bicha; ele é bicha; o Flávio Rangel é bicha; o Pedro Álvares Cabral era bicha; o Antônio Houaiss é bicha; o Ulisses é bicha; o Maneco Muller é bicha; o Fernando Fernandes é bicha; o Vinícius de Moraes é bicha; o Carlos Drummond de Andrade, que ainda não me deu aquela entrevista, é bicha; o Sérgio Cavalcanti é bicha; o Jaguar é bicha; os contatos de publicidade, o Ewaldo e o Paulo Augusto, são tremendas bichas; e o chefe deles, o Grossi, é bicha; o lvon Cury é bicha; o Daniel Mas, sem qualquer apelação, é bicha; como bicha é, também, o Antônio Guerreiro; o José Silveira é bicha; o Manolo é bicha;







o Chico Buarque é bicha; o Caetano Veloso é bicha; o Gilberto Gil é bicha; o Roberto Carlos é bicha; o Erasmo Carlos é bicha; o Zózimo Barroso do Amaral é bicha; o Jaguar é bicha; a Márcia Barroso é bicha; a Scarlet Moon de Chevalier, digo, a Scarlet é bicha, a Moon é bicha e a Chevalier é bicha; meu Deus, como o Paulo José e Dina Sfat são bichas; ah, sim, o Ênio Silveira é bicha; como esquecer que a Danusa é tão bicha como a Leão; bicha, também, pois, a Nara Leão, e o Cacá Diégues, que é marido dela, é bicha; e o Glauber Rocha, como todos os baianos, é bicha; a Rosinha, mulher do Glauber, é uma tremenda bicha; o Antônio Guerreiro é bicha; o Jaquar, que eu ia esquecendo, é bicha; o José Hugo Celidônio é bicha; nunca vi ninguém tão bicha quanto o Rogerio Sganzerla; bicha, mesmo, para valer, é o lbrahim Sued, que não pode ser mais bicha; Doval é bicha; Jairzinho é uma bicha radical; falando em bicha: como vai você, Henfil; Minas Gerais é um viveiro de bichas; Ziraldo, por exemplo, quem pode negar? É a maior bicha de Caratinga; aliás, se vocês não sabem, esse tal de Caratinga também era bicha; o filho do Jaguar, tão pequenino já é bicha; também, o professor dele é bicha, sô; ah, Virgem Santa, o João Saldanha é bicha; o César Thedim é bicha e a Tonia Carreiro, para provar o dito, também é bicha, falando nisso, o John Mowinckel é bicha; e o Pedrinho Valente, embora ainda não saiba, é bicha; a êsse lá sabe: o Ivo Pitanguy é bicha; há alguém mais bicha do que o Sérgio Bernardes? há, o Jaguar; ah, que saudades que eu tenho da bicha Cláudio Abramo; Afonso, Afonsinho, Afonsão, todos bichas; os Afonsos em geral, todos bichas,- tenho melancolia do Rio Grande do Sul porque as bichas que aqui são bichas não são bichas como lá; Olavo Bilac é bicha; o bigodinho do Oscar Niemayer não me engana; é bicha; ora Tom Jobim, vai ser bicha lá com a bicha do Frank Sinatra; como se não bastasse, de bichas, é claro, agora ainda anda por aí aquela bicha da Florinda; a bênção, minha bicha Baden; falando em bicha nada melhor do que uma bicha do Jorge Ben depois da outra; Charles Anjo 45 é bicha enrustida; você é bicha; o leitor, todos os leitores, são bichas; fala, bichonilda Sérgio Noronha; a Olga Savary é bicha e o livro dela é mais bicha ainda; Paulo Garcez é a chamada bicha respeitável; Jango é bicha; Brizola é subverbicha; e a Wanderléia, segundo a bicha do Flávio Rangel não a do no sentido possessivo mas do ele, Flávio - é bicha ternurinha; e quem diria, hein? todos os Macedos Soares são bichas; Rubem Braga anda caindo de tanto ser bicha.






Este parágrafo é bicha.






Por outro lado, Maria Bethânia é bicha; a democracia é bicha; ele é bicha mas eu não sou louco de dizer; salve a bicha mais bicha de Londres, a bicha do Ivan Lessa; o Jaguar é bicha, o Ferreira Gullar já representou o Maranhão no concurso nacional de bichas; todos os componentes do velho PSD são bichas; Paulo Mendes Campos é a bicha mais intelectualizada que eu conheço; falando em bicha, vocês lá viram que coisa mais incrível o gênero bicha-barbuda que é o Carlinhos Oliveira?; bicha para falar a verdade, mas bicha mesmo, é o Hélio Fernandes; criança, nunca verás uma bicha tão grande quanto a Maria Raja Gabáglia; fala minha bicha Marlene Dabus; você é tão linda, Teresa Souza Campos, mas é bicha, Joaquim Pedro e Melo Franco e, portanto , bicha, pois todos os Melo Franco são bichas; a Danusa Leão, insisto, é bicha; olha aqui, ô Matarazzo, não queira me comprar:, tôda a familia é bicha; e tem mais:






vocês lembram da Maysa, ex-Matarazzo? Pois é bicha, bicha é a torcida do Flamengo; e a do Botafogo se existisse, bicha seria; os velhinhos do Vasco são bichas; o Fluminense, vocês sabem, andam de salto alto; todos os brasileiros são bichas; Europa, França e Bahia - tudo bicha; Ásia, África, América e Passo Fundo, tudo bicha; inclusive o Jaguar, tudo bicha; é a maior bichite da história do mundo; que, por sinal, é bicha.






O único macho do mundo é o Nélson Rodrigues."

HAHAHA, ADORO.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sambas de Enredo 2011. Ou não.

Cena: Avenida Paulista, final de tarde.
Local: Estabelecimento comercial de alto garbo e elgância.
Protagonista: Suzy

Estamos falando aqui de um ser que não lamentou a morte do Napster. Esta pessoa alimenta aquele amor tátil pelos seus CDs, portanto COMPRA tudo aquilo cujo conteúdo lhe interessa. Simples desse jeito.

Como escolas de samba, carnaval na avenida e, consequentemente, os sambas de enredo fazem parte da sua lista de interesses, ela foi até a loja especializada no artigo para adquirir o exemplar do carnaval 2011, um treco que deve estar vendendo consideravelmente bem, já que o carnaval chegou, né. Espia o que aconteceu:

"Oi, eu queria o CD de Samba Enredo do Rio."

"Qual deles?"

"O de Samba Enredo. Do Rio de Janeiro. O Rio. De Janeiro. Sabe?"

"Você quer o desse ano?"

"Sim.(?)" - começando a se preocupar com o rumo que a conversa tomava. Questionando ali se a vida valia mesmo a pena.

"Mas ó: no CD vem todos os sambas, tá. De todas as escolas, eu digo"

"????????????????????????"

"Você vai querer?"

Interrogações infinitas. Sua vontade era dizer: "Não, eu queria um só com 'Pega no Ganzá'. Tem?" - confessou-me Suzy logo após o ocorrido.

Mas não saiu. Ela apenas foi embora sem o CD.

Eu já disse aqui e repito: estão colocando alguma coisa na água que essa gente bebe. Alguma coisa tóxica. Radioativa.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aconteceu no Filial

Tô lá eu, sentada no Filial, naquele domingo de calor tosco em companhia da querida amiga Florits. Fomos encher a cara de chopp para ver se virávamos de vez um pudim de pinga debater a questão da paz mundial.

Tudo isso ao som da bateria da Pérola Negra que estava ensaiando ali na rotatória logo em frente ao nosso reduto e também não deixa de ser uma fonte infinita de inspiração, diz aí [pela fé de Abraão].

Eis que, das trevas, surge um ser que não soubemos identificar como humano, vegetal ou pedra - de acordo com a classificação de espécies amplamente divulgada nos anos 90 pelo patriarca do célebre clã Da Silva Sauro - Dino. Entramos em processo de catatonia.

A criatura em questão vinha atravessando a rua em meio àquele furdunço desgovernado que se forma quando juntamos 3 botequins apinhados de gente, um Domingo com a temperatura do sol e mais ritimistas, passistas e integrantes de uma escola de samba, além do casal de Mestre Sala e Porta Bandeira, tudo junto ali no espaço de um quarteirão. Ele se parecia muito com aquela barata extraterrestre gigante em pele de fazendeiro morto do Men in Black. Mas naquela hora em que a roupa de humano já tá torta e o cara fica com a cara meio capenga, puxando de uma perna. Impressionante semelhança.


"Vai uma Kaiser aí?"


Ele atravessava a rua e vinha em nossa direção. Uma garrafa de breja vazia na mão. Talvez fosse apenas um chato. Talvez fosse apenas um bêbado. Talvez ele estivesse vindo apenas para adquirir uma nova garrafa. Talvez a missão dele fosse nos localizar e nos eliminar. Considerando a possibilidade do fulano ser, de fato, a barata gigante agressiva.

Logo que o tal sujeito se aproximou, pudemos notar que tratava-se de um pout-pourri de nossas impressões. Ele era um bêbado aparentemente chato atrás de mais mé. Nem queria matar a gente nem nada. O que não esperávamos era o texto que ele soltou ao escorar a carcaça em nossa mesa:

"Aeeeeee seus CUZÃO........zi eu uzzzaasse minnn saia e zoubessse crzzzaaar a pernassssiiimmm eu num prizzzava mais trabalhaaaaaaaaaa!"

Cambaleou, apoiou na pilastra do bar vizinho e foi embora.

***AE SEUS CUZÃO***

Não importa com quem vc esteja falando. Nem seu objetivo. Você conseguirá a atenção de seu interlocutor.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Surtei de novo

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart (i carry it in my heart)
e.e.cummings

Eu sei, eu sei. Me deixa. Se serve de consolo, eu dei um copy paste.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Nas portarias da vida

Conversa verídica ocorrida na semana passada entre esta coitada aqui e o porteiro do prédio da calega:

"Oi, eu vim deixar uma sacola para a dona Adriana. O senhor avise a ela que está aqui, sim? Só não me lembro se ela mora no 4º ou no 5º andar..."

E o cara tira o fone do gancho e começa a tocar em um dos apartamentos.

"Não tem ninguém em casa não."

Merda.

"Mas o senhor ligou no 4º ou no 5º andar?"

"Liguei no 2º. Lá também tem uma mulher chamada Adriana"

LIGOU NO SEGUNDO ANDAR.

"Não moço. Ela mora ou no 4º ou no 5º. Coincidência haver uma pessoa com o mesmo nome no 2º andar, mas NÃO É ELA [caralho]."

E o homem me olhando na cara como se eu estivesse fantasiada com uma roupa de pavão.

"Olha, no 5º andar morava um homem, mas ele mudou e o apartamento tá vazio..."

"Então ligue no 4º andar que é lá."

"Mas como é que a senhora sabe?"

Agora diz aí: esse nego tava me sacaneando, não tava?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Um Badenzinho só pra dar um clima né galera

Deeeeeeeeixaaaaaaaa
Fale quem quiser falar, meu bem
Deeeeeeeeixaaaa
Deixe o coração falar também
Porque ele tem razão demais quando se queixa
Então a gente deixa, deixa, deixa, deixa, DEEEEIXAAAAAA
Ninguém vive mais do que uma vez
Deeeeeixaaaaaa
Diz que sim prá não dizer talvez
Deeeeixa
Paixão também existe
Deeeeeeixa
Não me deixe ficar triste



Porque a nega voltou de riba e ainda está inspirada, percebe?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Prestação de Serviço - Operação Verão

Para você, garota forte, corada, bonita, que está determinada a vestir seu maiô em motivos florais e chafurdar na arrebentação de Mongaguá neste verão iluminado, mas receia sofrer algum tipo de contratempo, digamos assim, envolvendo aquela beiradinha de mar que te dará o título de Musa Croquete 2011, aqui vai a solução:
Imprima este folheto e não se esqueça de levar algumas cópias para a praia. Distribua entre os parente, seu esposo, o cunhado, as vizinha do condomínio, todas menina do crube, as criança, e até a calega da raspadinha e do abacaxi hawaii.

Dê suas cambotas à beira mar em paz! Se lasca nas batida de coco, espreme bastante limão nos camarão frito e FOCA no carão da pose pras foto do Orkut!!

Nesse meio tempo......encalhou? Telefona que os colega te acode, santa!

Se joga! Monga te espera, criatura de sucesso!

**Pessoas normais que quiserem divulgar estes telefones para os fins genuinamente apropriados têm todo o meu apoio. Eu mesma já o fiz.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MA OEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!

Na condição de ninja que sou, sobrevivi a todos os obstáculos caraivanos listados por mim mesma e cá estou de volta, para minha imensa decepção (merda, merda, merda).

Ouso dizer que sintomas de abstinência alcoólica me importunam.

A questão é que viver sem Caraíva é muito ruim. Pelo menos na fase de readaptação. Por isso, tentarei resolver este vazio que foi criado em meu peito, sei lá, indo até a delega da Consolação pra falar com o escrivão que assumiu a parada da minha, hã, PORRADA automobilística de maio último. Porque foi este tecnicamente o primeiro telefonema que recebi chegando em São Paulo.

Bacana, né? [Não, não é].

Tudo bem que eu fiquei de ligar de volta para marcar um horário com o homi mas, criminosa que sou, guardei o papel nas peitchola assim como fazem aquelas gordas donas de botequim e obviamente o perdi. Aparecerei de surpresa. Odete não aprovaria tal comportamento, mas formalidades como agendamentos não serão possíveis neste caso.

Depois eu conto se fui presa ou não. Pelo menos eu sou corintiana, enturmar-me-ei facilmente. Marlboros VERMELHOS, fazendo a fineza, sim?

Grata.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Se for por falta de adeus....

Tchau gents. Vou pra Caraíva. Não sei se volto porque posso:

a) Não sobreviver ao Reveillon;

b) Não sobreviver às doses cavalares de Netuno que pretendo ingerir; (improvável)

c) Virar hippie e mandar esta minha vida de empreendedora à merda;

d) Não sobreviver ao desgosto de ter que atravessar o rio pro lado de cá;

e) Ser eleita presidente da vila, já que além de certo europeu oficialmente ainda não temos quem mande naquela porra;

f) Não sobreviver à festa de batizado do meu sobrinho;

g) Não sobreviver ao retorno de minha cunhada à guerra;

h) Não sobreviver à temporada como um todo, pois eu tenho idade e esse negócio de Caraíva na veia não é brinquedo não.

Fiquem tranquilos, não falecerei sem avisar.

Feliz ano novo, gente bonita. Facebookearei lá de riba.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Chama o Gikovate

Úl-ti-mo, prometo. E vou processar o Frota, porque estou quase certa de que sua última aparição está totalmente associada a este destempero emocional que me ataca. Parei galera, juro. Aqui é Corinthians.

"Aflição de ser eu e não ser outra.

Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.

(A noite como fera se avizinha)


Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra."

HILDA maravilhosa HILST soberana.

A partir do próximo post, retornaremos à programação normal. Agradecemos a compreensão. Vou tomar uma cerveja agora. Tá tudo bem.

Gente, é só uma fase, viu?

Porque todo mundo um dia pira, depois volta ao normal, daí PIRA novamente de forma mais grave, tornando a voltar ao normal e assim sucessivamente, até o dia que o nego fica lelé de vez e sai pela rua no melhor estilo "Ala dos Mendigos Beija Flor 1989" empurrando um carrinho de supermercado cheio de entulho igual fazem aquelas velhas loucas de Nova York; ou como diz a Red, "de terninho e havaianas, dançando a babuska com uma guirlanda na cabeça".

Né?

Pois eu estou numa fase não muito organizada mentalmente, fase esta que iniciou-se no século passado, a bem da verdade.

A questão é que ao invés de decidir por sair correndo pelada com a tal guirlanda pela Avenida Paulista em plena invasão natalina de transeuntes desgovernados - extraterrestres, creio eu, porque ME EXPLICA tamanha comoção causada por edifícios iluminados - eu entrei numas de lembrar do nada certos textos mais eruditos, digamos assim.

Estilo: to sentada no sofá assistindo, sei lá, "Mayday", por exemplo, coisa que costumo fazer com frequência para manter forte aqui a tradição do autoflagelamento e de repente, PÁ!! Me vem um Vinicius na cabeça. E daí eu vou atrás, leio todo o poema, acho lindo, descubro ali coisas que não havia notado antes, essas coisas de gente que não bate bem.

Essa merda toda já tinha começado quando eu confessei aqui ser discípula de Hildoca. Mas o contexto ali era diferente, estava apenas tentando mostrar que neguinho não precisa ser genial para valorizar material de qualidade. Basta apenas ser alfabetizado e definir o que mais lhe agrada. Ponto. Ó, foi aqui.

Daí que hoje eu estou aqui numa conversa telefônica totalmente dispensável, no sentido de que seu conteúdo era absolutamente desprovido de........ahn, conteúdo, e de repente.....TCHUMBA. Me veio mais um Hilda Hilst na cachola, assim, de lampejo. Postarei agora porque acho esse UM TRECO. Na verdade é um trecho de alguma coisa mais complexa, não sei, não me confunde, porra. Aí ó:

"E por que haverias de querer minha alma na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas, obscenas,
porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo, prazer, lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro.
E te repito: por que haverias de querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me."

E é isso. Se eu tiver outra visão eu conto aí. E prometo me dedicar com mais afinco ao consumo de álcool, feito? Pela minha experiência, é o que resolverá tais sintomas de surto. Aguardemos. Grata pela atenção, hein?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

APOCALIPSE

Não tenho nada a dizer. Apenas que o tão esperado fim dos tempos chegou. As sete bestas, de fato, vieram até nós. Não sei se num futuro muito distante, novas civilizações terão acesso aos nossos obsoletos arquivos digitais, mas faço questão de deixar registrado aqui o que desencadeou o cataclisma final.

TURUMMMMM....TSSSSSSSSSSS!!!



E assim extinguiu-se a humanidade. FIM. Fodeu tudo.

E eu aqui achando que ter sido entrevistada pela Rogéria num Gala Gay aí da vida nos anos 90 foi o auge da bizarrice desta minha mísera existência.........to espumando pela boca até agora, desce uma tequila. Dupla. Twist. Carpada.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Manifesto Hilstiano - Porque os malas também têm coração.

Não sei se já deixei claro aqui, mas odeio, detesto e execro qualquer tipo de demonstração pública de inteligência sobre-humana. Que NÃO é o contrário da burrice sobre-humana que vemos diariamente estampada em basicamente tudo com o que temos contato, entendam.

A burrice abissal é o que vai acabar com a humanidade, é o que antecipará o grande evento de 2012, é aquilo que já comprometeu a civilização como um todo. Gente burra não conhece e nem sabe fazer uso da própria língua, seja ela qual for. Tudo bem que vejo tal fato repetir-se com mais frequência dentro das fronteiras nacionais, mas né. Qualquer verdade absoluta também é oriunda de uma linha de pensamento limitada, logo, não restrinjamos este princípio a este ponto isolado do mapa. Gente burra não entende piada; Gente burra cria, participa e dá crédito à fofocas; os burros nunca estão abertos à críticas; burros não têm condição de viver em sociedade pois são tacanhos e inadaptáveis. A tudo. E os burros também têm uma necessidade imensa de demonstrar a inominável capacidade mental que acreditam possuir. Pior que esses são aqueles da turma "não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe". Morram todos.

Isto é uma constatação minha, com embasamento frágil e restrita à minha nem tão pequena roda de amigos/inimigos/afins e gente com quem trabalho. Eu é que acho e acabou. Não mudarei de opinião. Mas o assunto aqui não é este e sim a inteligência sem medidas.

Só eu implico com aquele povo que sempre cita alguém teoricamente importantíssimo? Porque olha, eu tenho uma gana de mandar um xingo pra essa gente que fica tacando qualquer merda entre aspas em wall de Facebook e timeline de Twitter, citando a fonte, sem saber nem mesmo de quem se trata, que eu nem falo. Meu sonho é pedir pra um nego desses me explicar o que aquela frase quiz dizer. Ai meu cú, que raiva que me dá de gente inteligente. O cara não tem noção do que fez Nietzsche ou o pobre do Joyce, tampouco aquela besta do Che Guevara durante a vida, mas não titubeia em lançar uma frasezona lá, pra dar uma de bonito. Tá, até capaz de saber responder o que o Guevara fez - vai falar que foi guerrilheiro, que bode -, mas mesmo assim: corto minha mão direita se entender o conteúdo de uma, UMA citaçãozinha qualquer atribuída ao cara. Se fosse homem apostaria meu pipi nessa.

A pessoa cita Machiavel, Balzac, Kafka sem nunca ter lido uma porra de uma frase proferida pelos coitados com atenção. Ele vê lá no final EINSTEIN e vai na fé, achando que tudo é uma questão de energia. Se ele tem capacidade para citar Einstein é porque existe alguma sintonia ali, né?

Não, não é. É triste, viu meu amigo, mas NÃO É.

Agora estamos enfrentando uma onda de Clarice Lispector e Bob Marley. Quer dizer: o SER pensa (ou não) que é maconheiro e ouviu o som do Bob a vida inteira, mas NUNCA soube do que se tratava, não pegou mensagem NENHUMA, porquê cadê que o anta fala inglês? Cadê? Mas não se furta em postar qualquer merda que venha assinada como Bob Marley. O movimento Rasta e tal. Pergunta lá sobre os Rastafaris e prepare-se para ouvir algo sobre cabelos e só. Sobre a Clarice Lispector eu não vou nem falar, tá? Não preciso explicar, creio eu. Quero que levante a mão quem, dos inteligentões, já leu uma mísera obra desta senhora.

Bem, eu, como  não sou inteligentona e até assumo achar esses treco de poesia e filosofia e todas essas sabedorias um pé no meio do saco, informo-lhes que AMO, sou louca por Hilda Hilst, apenas porque gosto e fim. Acho realmente fantástico e nem é por nada transcedental não. Suas convicções, o conteúdo e a temática me agradam muito e conheço sua obra a fundo. Vi, gostei, fui atrás e li tudo. Coincidencia ou não, Gabi, minha irmã, atriz teza da família, até já atuou em uma peça cujo texto era quase todo baseado nos poemas de Hilda. E aí vai o meu preferido:



"Devo viver entre os homens

Se sou mais pêlo, mais dor

Menos garra e menos carne humana ?

E não tendo armadura

E tendo quase muito de cordeiro

E quase nada da mão que empunha a faca

Devo continuar a caminhada ?

Devo continuar a te dizer palavras

Se a poesia apodrece

Entre as ruínas da CASA que é a TUA alma ?

Ai, luz que permanece no meu corpo e cara:

Como foi que desaprendi de ser humana?

costuro o infinito sobre o peito

e no entanto sou água fugidia e amarga

e sou crível e antiga como aquilo que vês:

pedras, frontões no todo inamovível.

Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.

Recente, inumana, inexprimível.

Costuro o infinito sobre o peito.

Como aqueles que amam."
 
HILDA HILST
 
Tá, passou, passou. Vamos falar mal de alguém aí, porra.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Enquadro na Linha Vermelha

Então, né, que teve o feriado de 12 de outubro e eu que estava na maior abstinência carioca mas achei absurdamente cretino pagar 1200 reais em uma perna de ponte aérea, resolvi que a maneira mais indicada de locomoção até meu point Vieira Soutense era pegar um boi com o amigo Tano, cuja inominável inteligência fez com que chegasse à mesma conclusão sobre a compra da tal passagem de avião.

Sendo assim, ficou decidido que iríamos together, de carro, cantando e falando mal do mundo todo daqui pro Rio. E assim fomos.

Ao nos aproximarmos do final da Via Dutra, amigo Tano comenta:

"Não vamos entrar pela Linha Vermelha. Vamos dar uma volta maior e pegar a Av. Brasil, pois a polícia normalmente para TODOS os carros com placa de São Paulo em ocasiões como esta."

Ao que eu concordei e emendei:

"Sim, eles dão a maior canseira na gente, vamos pela Brasil, isso mesmo, Tano, tesouro, esperteza em pessoa, orgulho da família"

E emendamos uma conversa detalhando todas as blitzes onde nós, nossa família, nossos conhecidos ou os primos dos cunhados das irmãs das vizinhas já haviam rodado.

Claro que nem vimos o arrastão que acontecia na Brasil no exato momento em que adentramos a via então, tecnicamente, chegamos à Ipanema na maior tranquilidade.

CORTA.

FIM DE FERIADO - VOLTA PARA SP - PAULA E TANO NO CARRO.

Bifurcação ali logo depois de São Cristóvão indicando "Linha Vermelha" à frente, "Av. Brasil" à direita. Houve um lapso, ficamos no vai não vai, mentes sequeladas e não deu outra: entramos na porra da Linha Vermelha. E novamente não deu outra: fomos parados. Tá, né. A gente SABIA que isso ia acontecer, sem traumas.

Daí que vieram dois cidadãos pertencentes à organização, fantasiados de BOPE e tudo mais, que se puseram a revistar o carro as bolsas, as malas, arrancaram os tapetes, farejaram tudo como se fossem dois labradores amestrados atrás de uma peça de mortadela, pegaram um controle remoto de garagem na mão e perguntaram se aquilo tinha alguma outra função além de abrir e fechar portões, fizeram uma puta zona. E a gente ali, já parados havia uma hora.

Encrencaram com os documentos, que estavam em ordem. Encrencaram com os selinhos do para brisa dianteiro, que estavam em ordem. Encrencaram com o estepe, o triângulo e aquelas porras de trocar pneu, que também estavam em ordem. Encrencaram com a minha cara, que não estava muito em ordem não após 4 dias de esbórnia, mas policial normalmente não gosta muito de mim, então não tomei aquilo como ofensa pessoal ou algo do gênero. Vivo bem com o fato de ser uma pessoa suspeita.

Quer dizer: o cara não tinha de onde arrancar uma grana ou arranjar um problema para mim e Tano. A criatura acabara de perder uma hora e meia de seu dia em uma revista que não dera em nada. Puta roubada, grande perda de tempo.

Foi quando, não se dando por vencido, o digníssimo oficial fica na posição de cócoras, pega algo do chão e dirige-se à mim. Reproduzirei o diálogo:

- "A senhora sabe que, quando a senhora saltou do veículo, eu logo notei que ISTO aqui estava no chão."

- "Sei..." [o ISTO em questão era um treco qualquer que eu ainda não havia identificado pois o policial muqueava o objeto na mão]

- "Eu também notei que ISTO aqui pode ter caído no momento em que a senhora se levantou do banco do passageiro."

- "Arrãn...."

Eis que a BEXTA abre a mão e me mostra o 'ISTO'.

- "A senhora pode me dizer o que é ISTO?"


- "Huuummmm....aaahnnnn....é uma bituca de cigarro, moço..."


- "E ISTO é seu??????"


- "Não é não, viu seu guarda. Isso aí é bituca de Capri, tá vendo aí que tá escrito? Ó, eu fumo Marlboro....e Capri, viu moço, é cigarro de véia..."


- "Okay, vou liberar vocês para seguir viagem"

Como se ele não tivesse acabado de pagar o mico do século em meio à blitz mais populosa de sua breve carreira.

Desnecessário comentar que eu e Tano viemos VOMITANDO de rir de lá até a porta de casa e que esse otário virou assunto recorrente sempre que nos juntamos ao nosso numeroso grupo.

Porque PALHAÇO também é uma profissão. Seu trabalho é agir como imbecil para assim, divertir o público e causar o riso na galera, não é mesmo? Puta cara eficiente.

**EDITANDO EM 27/12/10: Cara, a bituca não era de Capri coisa nenhuma. Era uma bituquinha azul que vi ontem na área de fumantes da festa que eu fui. Mas isso não muda nada, porque não lembro o nome. Bêbado é uma merda mesmo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desgraça sem limites

Vou definir para vocês o conceito de desgraça sem limites:

Desgraça sem fim é receber um telefonema A COBRAR no meio do seu dia de trabalho e do outro lado da linha haver um palhaço qualquer tentando frustradamente simular uma entonação de "louco por Lee".

Desgraça infinita é tal otário lhe dizer que é cliente da loja, que fez compras lá no último sábado e que está ligando porque está apaixonado por você. Ele completa dizendo que gostaria de te convidar para fazer alguma coisa, para vocês se conhecerem melhor, TALZ.

Merda mesmo é você dizer à criatura que "não vai dar não, viu moço, eu sou casada" e obter como resposta "não tem problema não, eu não ligo".

Ainda por cima é POBRE. Nem sei como proceder.

Máximas - Conclusões estapafúrdias

Estou aqui no lar em companhia de irmão Rodolfo e cunhada Flora, que vieram dar umas banda na cidade grande e resolveram ficar até amanhã. Somos nerds, por isso estamos assistindo ao Exorcismo de Emily Rose e brincando de Facebook, tudo ao mesmo tempo porque a gente É nerd mas tem coordenação motora. Daí que Rodolfo toma o laptop de Flora para mexer em alguma configuração sei lá de quê e aparece uma janela do MSN informando que "Ursinha Carinhosa acabou de entrar".

CONCLUSÃO DO PEQUENO SCARCELLI:

"Ursinha Carinhosa. Se fosse o meu MSN, eu teria certeza de que era uma puta. Uma puta bem gordona com AQUELE fogo na raba......."

OI?