Porque as bizarrices cotidianas devem ser comentadas

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Manifesto Hilstiano - Porque os malas também têm coração.

Não sei se já deixei claro aqui, mas odeio, detesto e execro qualquer tipo de demonstração pública de inteligência sobre-humana. Que NÃO é o contrário da burrice sobre-humana que vemos diariamente estampada em basicamente tudo com o que temos contato, entendam.

A burrice abissal é o que vai acabar com a humanidade, é o que antecipará o grande evento de 2012, é aquilo que já comprometeu a civilização como um todo. Gente burra não conhece e nem sabe fazer uso da própria língua, seja ela qual for. Tudo bem que vejo tal fato repetir-se com mais frequência dentro das fronteiras nacionais, mas né. Qualquer verdade absoluta também é oriunda de uma linha de pensamento limitada, logo, não restrinjamos este princípio a este ponto isolado do mapa. Gente burra não entende piada; Gente burra cria, participa e dá crédito à fofocas; os burros nunca estão abertos à críticas; burros não têm condição de viver em sociedade pois são tacanhos e inadaptáveis. A tudo. E os burros também têm uma necessidade imensa de demonstrar a inominável capacidade mental que acreditam possuir. Pior que esses são aqueles da turma "não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe". Morram todos.

Isto é uma constatação minha, com embasamento frágil e restrita à minha nem tão pequena roda de amigos/inimigos/afins e gente com quem trabalho. Eu é que acho e acabou. Não mudarei de opinião. Mas o assunto aqui não é este e sim a inteligência sem medidas.

Só eu implico com aquele povo que sempre cita alguém teoricamente importantíssimo? Porque olha, eu tenho uma gana de mandar um xingo pra essa gente que fica tacando qualquer merda entre aspas em wall de Facebook e timeline de Twitter, citando a fonte, sem saber nem mesmo de quem se trata, que eu nem falo. Meu sonho é pedir pra um nego desses me explicar o que aquela frase quiz dizer. Ai meu cú, que raiva que me dá de gente inteligente. O cara não tem noção do que fez Nietzsche ou o pobre do Joyce, tampouco aquela besta do Che Guevara durante a vida, mas não titubeia em lançar uma frasezona lá, pra dar uma de bonito. Tá, até capaz de saber responder o que o Guevara fez - vai falar que foi guerrilheiro, que bode -, mas mesmo assim: corto minha mão direita se entender o conteúdo de uma, UMA citaçãozinha qualquer atribuída ao cara. Se fosse homem apostaria meu pipi nessa.

A pessoa cita Machiavel, Balzac, Kafka sem nunca ter lido uma porra de uma frase proferida pelos coitados com atenção. Ele vê lá no final EINSTEIN e vai na fé, achando que tudo é uma questão de energia. Se ele tem capacidade para citar Einstein é porque existe alguma sintonia ali, né?

Não, não é. É triste, viu meu amigo, mas NÃO É.

Agora estamos enfrentando uma onda de Clarice Lispector e Bob Marley. Quer dizer: o SER pensa (ou não) que é maconheiro e ouviu o som do Bob a vida inteira, mas NUNCA soube do que se tratava, não pegou mensagem NENHUMA, porquê cadê que o anta fala inglês? Cadê? Mas não se furta em postar qualquer merda que venha assinada como Bob Marley. O movimento Rasta e tal. Pergunta lá sobre os Rastafaris e prepare-se para ouvir algo sobre cabelos e só. Sobre a Clarice Lispector eu não vou nem falar, tá? Não preciso explicar, creio eu. Quero que levante a mão quem, dos inteligentões, já leu uma mísera obra desta senhora.

Bem, eu, como  não sou inteligentona e até assumo achar esses treco de poesia e filosofia e todas essas sabedorias um pé no meio do saco, informo-lhes que AMO, sou louca por Hilda Hilst, apenas porque gosto e fim. Acho realmente fantástico e nem é por nada transcedental não. Suas convicções, o conteúdo e a temática me agradam muito e conheço sua obra a fundo. Vi, gostei, fui atrás e li tudo. Coincidencia ou não, Gabi, minha irmã, atriz teza da família, até já atuou em uma peça cujo texto era quase todo baseado nos poemas de Hilda. E aí vai o meu preferido:



"Devo viver entre os homens

Se sou mais pêlo, mais dor

Menos garra e menos carne humana ?

E não tendo armadura

E tendo quase muito de cordeiro

E quase nada da mão que empunha a faca

Devo continuar a caminhada ?

Devo continuar a te dizer palavras

Se a poesia apodrece

Entre as ruínas da CASA que é a TUA alma ?

Ai, luz que permanece no meu corpo e cara:

Como foi que desaprendi de ser humana?

costuro o infinito sobre o peito

e no entanto sou água fugidia e amarga

e sou crível e antiga como aquilo que vês:

pedras, frontões no todo inamovível.

Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.

Recente, inumana, inexprimível.

Costuro o infinito sobre o peito.

Como aqueles que amam."
 
HILDA HILST
 
Tá, passou, passou. Vamos falar mal de alguém aí, porra.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Enquadro na Linha Vermelha

Então, né, que teve o feriado de 12 de outubro e eu que estava na maior abstinência carioca mas achei absurdamente cretino pagar 1200 reais em uma perna de ponte aérea, resolvi que a maneira mais indicada de locomoção até meu point Vieira Soutense era pegar um boi com o amigo Tano, cuja inominável inteligência fez com que chegasse à mesma conclusão sobre a compra da tal passagem de avião.

Sendo assim, ficou decidido que iríamos together, de carro, cantando e falando mal do mundo todo daqui pro Rio. E assim fomos.

Ao nos aproximarmos do final da Via Dutra, amigo Tano comenta:

"Não vamos entrar pela Linha Vermelha. Vamos dar uma volta maior e pegar a Av. Brasil, pois a polícia normalmente para TODOS os carros com placa de São Paulo em ocasiões como esta."

Ao que eu concordei e emendei:

"Sim, eles dão a maior canseira na gente, vamos pela Brasil, isso mesmo, Tano, tesouro, esperteza em pessoa, orgulho da família"

E emendamos uma conversa detalhando todas as blitzes onde nós, nossa família, nossos conhecidos ou os primos dos cunhados das irmãs das vizinhas já haviam rodado.

Claro que nem vimos o arrastão que acontecia na Brasil no exato momento em que adentramos a via então, tecnicamente, chegamos à Ipanema na maior tranquilidade.

CORTA.

FIM DE FERIADO - VOLTA PARA SP - PAULA E TANO NO CARRO.

Bifurcação ali logo depois de São Cristóvão indicando "Linha Vermelha" à frente, "Av. Brasil" à direita. Houve um lapso, ficamos no vai não vai, mentes sequeladas e não deu outra: entramos na porra da Linha Vermelha. E novamente não deu outra: fomos parados. Tá, né. A gente SABIA que isso ia acontecer, sem traumas.

Daí que vieram dois cidadãos pertencentes à organização, fantasiados de BOPE e tudo mais, que se puseram a revistar o carro as bolsas, as malas, arrancaram os tapetes, farejaram tudo como se fossem dois labradores amestrados atrás de uma peça de mortadela, pegaram um controle remoto de garagem na mão e perguntaram se aquilo tinha alguma outra função além de abrir e fechar portões, fizeram uma puta zona. E a gente ali, já parados havia uma hora.

Encrencaram com os documentos, que estavam em ordem. Encrencaram com os selinhos do para brisa dianteiro, que estavam em ordem. Encrencaram com o estepe, o triângulo e aquelas porras de trocar pneu, que também estavam em ordem. Encrencaram com a minha cara, que não estava muito em ordem não após 4 dias de esbórnia, mas policial normalmente não gosta muito de mim, então não tomei aquilo como ofensa pessoal ou algo do gênero. Vivo bem com o fato de ser uma pessoa suspeita.

Quer dizer: o cara não tinha de onde arrancar uma grana ou arranjar um problema para mim e Tano. A criatura acabara de perder uma hora e meia de seu dia em uma revista que não dera em nada. Puta roubada, grande perda de tempo.

Foi quando, não se dando por vencido, o digníssimo oficial fica na posição de cócoras, pega algo do chão e dirige-se à mim. Reproduzirei o diálogo:

- "A senhora sabe que, quando a senhora saltou do veículo, eu logo notei que ISTO aqui estava no chão."

- "Sei..." [o ISTO em questão era um treco qualquer que eu ainda não havia identificado pois o policial muqueava o objeto na mão]

- "Eu também notei que ISTO aqui pode ter caído no momento em que a senhora se levantou do banco do passageiro."

- "Arrãn...."

Eis que a BEXTA abre a mão e me mostra o 'ISTO'.

- "A senhora pode me dizer o que é ISTO?"


- "Huuummmm....aaahnnnn....é uma bituca de cigarro, moço..."


- "E ISTO é seu??????"


- "Não é não, viu seu guarda. Isso aí é bituca de Capri, tá vendo aí que tá escrito? Ó, eu fumo Marlboro....e Capri, viu moço, é cigarro de véia..."


- "Okay, vou liberar vocês para seguir viagem"

Como se ele não tivesse acabado de pagar o mico do século em meio à blitz mais populosa de sua breve carreira.

Desnecessário comentar que eu e Tano viemos VOMITANDO de rir de lá até a porta de casa e que esse otário virou assunto recorrente sempre que nos juntamos ao nosso numeroso grupo.

Porque PALHAÇO também é uma profissão. Seu trabalho é agir como imbecil para assim, divertir o público e causar o riso na galera, não é mesmo? Puta cara eficiente.

**EDITANDO EM 27/12/10: Cara, a bituca não era de Capri coisa nenhuma. Era uma bituquinha azul que vi ontem na área de fumantes da festa que eu fui. Mas isso não muda nada, porque não lembro o nome. Bêbado é uma merda mesmo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desgraça sem limites

Vou definir para vocês o conceito de desgraça sem limites:

Desgraça sem fim é receber um telefonema A COBRAR no meio do seu dia de trabalho e do outro lado da linha haver um palhaço qualquer tentando frustradamente simular uma entonação de "louco por Lee".

Desgraça infinita é tal otário lhe dizer que é cliente da loja, que fez compras lá no último sábado e que está ligando porque está apaixonado por você. Ele completa dizendo que gostaria de te convidar para fazer alguma coisa, para vocês se conhecerem melhor, TALZ.

Merda mesmo é você dizer à criatura que "não vai dar não, viu moço, eu sou casada" e obter como resposta "não tem problema não, eu não ligo".

Ainda por cima é POBRE. Nem sei como proceder.

Máximas - Conclusões estapafúrdias

Estou aqui no lar em companhia de irmão Rodolfo e cunhada Flora, que vieram dar umas banda na cidade grande e resolveram ficar até amanhã. Somos nerds, por isso estamos assistindo ao Exorcismo de Emily Rose e brincando de Facebook, tudo ao mesmo tempo porque a gente É nerd mas tem coordenação motora. Daí que Rodolfo toma o laptop de Flora para mexer em alguma configuração sei lá de quê e aparece uma janela do MSN informando que "Ursinha Carinhosa acabou de entrar".

CONCLUSÃO DO PEQUENO SCARCELLI:

"Ursinha Carinhosa. Se fosse o meu MSN, eu teria certeza de que era uma puta. Uma puta bem gordona com AQUELE fogo na raba......."

OI?

sábado, 30 de outubro de 2010

Impressões de um sábado chuvoso

Que conste aqui que era para eu estar estirada a) em uma piscina no interior de São Paulo; b) no posto 9; c) na praia Vermelhinha do Centro em Ubatuba; d) na minha cama; mas na realidade estou e) na loja, trabalhando. No meio do feriado. E chove nessa cidade, porque eu vou dizer que se é para alguma coisa FODER, o início se dará no ABC Paulista. Portanto, estamos sob a tempestade por aqui.

Pois bem. Não bastasse apenas estar isolada, trabalhando e mofando neste local, todo mundo sabe que os meus clientes são um caso à parte. Agora mesmo tenho aqui no recinto um cidadão, funcionário de uma grande empresa de segurança para a qual forneço uniformes. O ser humano (ou não) veio até aqui com a requisição de seu respectivo UNIFORME impresso no papel timbrado da referida empresa em mãos, documento que dá a ele o direiro de retirar da minha loja, sem ônus, dois ternos pretos e três camisas brancas. Mas pra quê fazer as coisas certas, né? Por quê não encher o saco da coitada que está lá fazendo papel de trouxa enquanto galere tá na quinta caipirinha já, hein? Vamos lá, vamos esculhambar com a paz da Paula.

Eis o que ele quer: ele quer levar um paletó verde, uma calça azul, uma bermuda jeans e 2 camisetas polo. OI? O cara quer que eu endosse um pedido de uniforme para ele comprar roupitchas.

Vou ali no Pão de Queijo tomar um café, viu. Eu tenho idade, não vem bulir comigo não. Não me atente. Quer ver que essa anta ainda vai errar na urna eletrônica amanhã? Quer apostar? Pobre mesário abecedano. "Eu sou você amanhã".

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Receita de família

Descoberta importantíssima do dia via mensagem INBOX: certo fulano está voltando para a cidade e uma amiga que tinha dado o assunto com o caboclo por encerrado entra em pânico. Sim, o infeliz voltará e seu alvo será ela. Fato. Ele a perseguirá. Como proceder? Iniciamos o seguinte debate. Como a identidade do gajo não pode e não deve ser revelada, os integrantes da referida conversa serão identificados por 1, 2 e 3. Sim, criativo. Além de funcional, vamos combinar:

1 - Tenho o leve pressentimento que meu nome vai continuar costurado na boca do sapo por um bom tempo.....

2 - Não. No panic. Vamos descolar uma tenda. Ou um terreiro. Ou uma tábua daquelas que escrevem com morto. CALMA.

1 - Mas você não está com o mesmo pressentimento? Fala a verdade, era só o que me faltava...

2 - Mané pressentimento, estou com a CERTEZA!! Por isso que vamos arranjar uma tábua daquelas que falam com o morto. Ou era um copo?

1 - Ouija???

2 - ESSE! Aponta o dedo concentra, espera, desce o espírito ali no copo e pãns. Isso ou uma galinha preta, mas aí vai ter aquele sangue todo e já ouvi dizer que tem que até beber, e sei lá, não aconselho não. Prefiro o mortinho preso no copinho.

1 - Minha amiga, vamos precisar da galinha preta, pipoca, cruzamento, livro da salamandra, pelo menos 3 pais de santo e mais a tabua e o copo. E nem assim eu sei se vai funcionar....

Até aqui a conversa vinha andando equilibradamente, notaram? Nada que merecesse destaque, digamos assim. EIS QUE SURGE O TERCEIRO ELEMENTO:

3 - Receitinha:
- um tubo de KY;


- 7 cogumelos do sol;


- um chester recheado com gorgonzola;


- uma vela de sete dias;


- uma maria-mole;


- um caldo knorr sabor galinha caipira;


- sal a gosto.


Não esquece o CD do Dudu França como trilha musical para o despacho.


Funciona!

1 e 2 PASMAS. Emudeceram. Bate a curiosidade. Eis que 1 resolve elucidar a questão:

1 - tenho medo de perguntar mas.... lá vai: e o faço o que com cada um dos elementos??

3 - Faz um mexidinho. Serve 2 pessoas.

FAZ UM MEXIDINHO. SERVE DUAS PESSOAS.

2 - e o KY?

3 - Melhor substituir por Vaselina. Mas da Vasenol. Se usar Dermacid a macumba perdura por mais 7 meses.

Pessoa 1 CAI DA CAMA

Pessoa 2 SUFOCA COM O PRÓPRIO RISO

Por isso que GENTE NORMAL dorme à noite. E nós.....bem........nós falamos sobre mexidinhos à base de gorgonzola e Vasenol.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Linha de raciocínio coerente

Estou aqui no meu Chesterfield assistindo à Raquel Acioly se f%der e aguardando a bombástica volta de minha rainha Odete Roitman. Paralelamente, mantenho uma semi conversa com a Red via Twitter. Ela twittou, eu comentei, ela replicou, eu respondi. Foi mais ou menos assim que tudo ocorreu.

Daí que ela postou isto aqui em sua disputada timeline:

"O filme "Nosso Lar" é extremamente fiel ao livro. E justamente por isso é extremamente CHATO"

Ah vá! JURA? Não é nem um pouco legal um filme cujo tema central é uma cidade chata cheia de espritu e um hospital chato pra gente morta? Onde galere traja branco em túnicas? Mas sério MESMO que é chato? Poxa, nunca poderia imaginar. Estou surpresa e estupefacta.

E se tem um treco que NÃO orna é a Red assistindo um filme sobre o céu com nego passando mensagens otimistas e pacíficas, andando de túnica pra cima e pra baixo (espíritas, perdoem-me pela forma leiga com que me refiro à sua doutrina. É apenas burrice, amadorismo, a intenção aqui não é faltar com o respeito. Mesmo porque, vai que vem um fantasmão atrás de mim e ó, TODO RESPEITO viu gente morta do Nosso Lar?)

Na sequência, mais este tweet de Red:

"Aliás, eu demorei para entender que o filme "Nosso Lar" já estava rolando na tela. Achei que era alguma novela mexicana dublada pelo SBT."

Decidi questionar. Porque...né? Alguma dúvida sobre a pentelhice do filme? Perguntei carinhosamente:

"POR QUÊ vc foi assistir a esta porra?"

E veio a resposta instantaneamente, assim PÁ! na timeline:

"Porque o Tropa de Elite só estreia na sexta"

AHHHHHHHHH TÁ! Então tá, então! Elucidado, né? Porque tanto faz ver o Capitão Nascimento xingando geral ou um cara de túnica que cura espíritos na tela do cinema..........

NÃO?

sábado, 2 de outubro de 2010

Adendo #2

A caixa das pizzas extra grandes não cabem na minha geladeira side by side. Uma geladeira grande. Uma geladeira side by side, porra.

Soquei-as lá dentro enviezadas. Os recheios escorrerão. Tudo entrará em colapso.

Para vocês verem o leque de problemas que o descontrole pode gerar.

Adendo

Mas ACABO de publicar esta triste história sobre meu descontrole perante um simples cardápio de pizzaria e minha página de vizualização aqui do Blogger exibe o seguinte anúncio:

"Pizza com 70% de Desconto




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PeixeUrbano.com.br/Cadastre-se"

Quer dizer, é todo um complô, percebe? As mensagens estão claras.

A Somália é logo aqui

Minha casa, eu, telefone, homem da pizzaria do outro lado da linha:

"Oi moço, eu queria fazer um pedido."

"Pois não."

"Eu queria uma pizza de calabresa, com cebola, azeitona, coberta de gorgonzola e palmito por cima. No maçarico. Aproveita e me manda uma meia banana com queijo meia Romeu e Julieta. Grande. A grande de 10 pedaços, não a de 8. Isso! A EXTRA GRANDE. Não, a outra também, isso, as duas extra grandes."

Na verdade eu descobri que o mundo vai acabar amanhã mas achei inadequado causar pânico na população.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Praça dos Artesãos Calabreses

Foi mal hein. Eu ia postar o mapa, mas caiu minha rede e tal, aquelas coisas. Lá vai.


Exibir mapa ampliado

Guia SP - Descobrindo cantinhos da cidade

Para quem mora em São Paulo e acredita conhecer a cidade a fundo, sugiro ir à uma aglomeração de loucos intitulada "Arraial do Magal" - nome auto-explicativo para a festa junina mais exclusiva do Jardim Paulistano - acompanhada da chefe do destempero mental na Terra (e dos outros planetas também), uma lendária amiga, atual moradora de Ipanema, RJ. Para quem ainda não associou o nome à pessoa, aqui vai uma DICA .

Saindo da festa, corra da garoa contínua e entre no seu carro com um dos amigos presentes. Deixe que a mestra do descontrole vá em outro veículo, dirigido por um dos seus mais fiéis seguidores nesse lance de loucura e desorientação generalizada.

Vá até o Pasta e Vino e, antes mesmo de ter seu couvert e aquela sardela maravilhosa sobre a mesa, atenda a um telefonema da louca. Preste atenção, pois o assunto a partir de agora é um acidente de trânsito. Porrada da boa.

Logo de cara, foi-me dito que eles haviam batido com o carro após perderem-se na Av. 9 de julho, o que me surpreendeu em diversas esferas já que: a) é IMPOSSÍVEL até mesmo para alguém recém chegado do Xingu perder-se na 9 de julho, quem dirá duas pessoas que moraram durante toda a vida em SP; b) Que raios faziam eles na 9 de julho já que saímos da Rua Groenlândia e nosso destino seria a Barão de Capanema, PORRA?

Tá, havia muito álcool envolvido, havia sequelas causadas por Sidney Magal e seu camisolão do Brasil - a festa aconteceu em um ano de Copa, 98 quase certamente. Porque a gente é antigo e tem muita história dos anos 90 pra contar, percebe? Ah, e Sidney Magal estava de fato trajando um camisolão estampado nas cores do pavilhão nacional.

Considerando estes aspectos básicos, compreendi que não seria assim tão absurdo duas pessoas tomarem um caminho sem sentido, perderem-se na via de mais fácil locomoção da cidade e finalmente terem o carro destruído em algum acidente. Achei plausível.

Desnecessário dizer que fui intimada a resgatá-los e abandonei minha mesa prontamente. Primeira providência: saber exatamente onde as duas antas estavam paradas com o carro batido. Obtive a seguinte resposta:

"Estamos aqui na Praça dos Artesãos Calabreses"

Tá. Isso diz alguma coisa para alguém? Porque eu, naquele momento, paralisei minha expressão facial e retruquei:

"Legal. Mas vcs bateram na 9 de Julho, né? Em que altura da 9 de Julho fica esta porra deste lugar, do qual eu nunca ouvi falar?"

E passei a buscar na memória "Praça do Artesãos Calabreses.....Praça dos Artesãos Calabreeeeesessssss....." sem nenhum tipo de resultado satisfatório.

Daí obtive um importante esclarecimento:

"Pressssssta antnçzão!! A getz ze perrrrdeu na Novvvv Djulho. Mas batemsssss qui na praççççççççç. A praççççç não é na Novvvvv Djulho"

Fo-deu.

"E ONDE fica essa praça?? Olha em volta, onde você está??"

"Aaaachhhhh que na Vintchreis de Maio"

Ótimo. Fácil. Simples. 23 de Maio. Como foram chegar lá já paramos de questionar faz tempo, não é mesmo? Mas estavam na 23. O resgate seria simples, se considerarmos que as duas mulas haviam, provavelmente, entrado na avenida a partir da merda da 9 de Julho.

E lá fui eu, 23 de Maio acima.....23 de Maio abaixo.....acima novamente....abaixo.......em toda sua extensão. Realizei o percurso completo 4 vezes. Eles já haviam me informado que estavam SOBRE a tal praça. Ou seja, como não avistei carro nenhum e praça alguma, concluí que os filhos da puta NÃO ESTAVAM  na 23 de Maio porcaria nenhuma.

E uma puta chuva sem fim caindo.

Encostei o carro e iniciei um debate com o amigo que se fudeu junto comigo nesta busca. Onde poderiam estar os dois seres? Eles não estavam na 9 de Julho e acreditavam estar na 23 de Maio, o que não era verdade. Eles estavam em um lugar chamado Praça dos Artesãos Calabreses, precisávamos focar nesta informação duvidosa. Depois de muita especulação resolvemos que não sabíamos nada sobre este local e ainda corríamos o risco de estar correndo atrás de uma praça inexistente, um nome errado, essas coisas. E decidimos sair dirigindo sem rumo. Rodaríamos com o carro nos entornos das avenidas que haviam sido mencionadas pelos bêbados.

Foi quando, via 23 de Maio, peguei a saída que dá acesso à Radial Leste, porque a gente estava ali sem fazer nada mesmo, com tempo livre, noite bonita e tal... e o que eu vejo do outro lado da merda da avenida? O que eu vejo no lado contrário, onde está o acesso da Radial à 23? O quê?

O carro da criatura parado sobre um triângulo de grama que separa a pista pricipal da entrada para a 23 de Maio formando uma bifurcação. Os dois sentados na chuva como se nada houvesse ocorrido. Dei a volta, parei o carro, liguei o pisca alerta e perguntei:

"A polícia já veio? Quem colocou o carro no canteiro?"

"Nááááá, ezzztamzzzz sssperando o guinchhhh. O carrrrrrrr zubiu aqui com a batchidddda"

Era um canteiro com um muro de uns 60 centímetros. De alguma maneira eles voaram. Olhei para cima. Havia uma placa. Nome do canteiro, da BIFURCAÇÃO: Praça dos Artesãos Calabreses.

Paulistanos: trata-se daquela porçãozinha de grama que há antes da curva que nos leva à 23 de Maio quando estamos indo da Mooca para o Ibirapuera, por exemplo. Como é que duas pessoas não conseguem me dizer isso? E me falam que estão em uma PRAÇA na 23 de Maio?

Tudo o que sei é que entramos todos no meu carro e fomos embora. O veículo acidentado ficou lá na praça e eu realmente até hoje não sei o que foi feito dele. Vou me informar.

A partir de então, sempre que quero dar uma de superior inicio minhas orientações com a seguinte frase:

"Chegar lá é fácil. Sabe a Praça dos Artesãos Calabreses? NÃÃÃÃOOOO????" - com a minha melhor cara de reprovação e desprezo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Definindo "Alegria de Viver"

Não sei se é de conhecimento geral, mas minha família como um todo trabalha no ramo de confecções. De um jeito ou de outro estamos todos ligados ao conglomerado da Scarcelli´s Corporations, holding que engloba as empresas de papai, e faz parte de nosso cotidiano lidar com costureiras entre tantas outras peculiaridades da indústria de vestuário.

Gabi, minha irmã, produz peças femininas exclusivíssimas, de modelagens elaboradas e tecidos sentimentais, digamos assim. Por isso ela conta com uma equipe de costureiras especializada para a execução de tais modelos. Costureiras que sabem a maneira correta de aplicar um molde sobre um tecido caríssimo, costureiras que sabem como cortar a porra do pano sem cagar o fardo inteiro causando prejuízos incalculáveis, costureiras que possuem e dominam o maquinário próprio para cada fechamento, para cada acabamento, para cada forro.

E daí eu conto pra vocês que, fora dois bois saírem voando pela janela da sua casa diariamente à 4 da tarde, a coisa mais difícil no mundo como o conhecemos é encontrar o quê? Uma costureira CAPAZ. Um ser humano que reúna todas as características supra citadas, porque vou te dizer que de costureira boa, a Puta que o Pariu tá cheia. E quaisquer outros lugares suspeitos. Tudo cheio de costureira boa. A Casa do Caralho também tá cheia. Uma beleza. É costureira boa pra todo lado ali no Beco dos Ebó Mal Despachados, dá até gosto. Na rua, pra gente contratar é que não tem UMA viu.

Voltando.

Daí que Gabi, em sua busca eterna por seres humanos que saibam exercer a função para a qual se dispuseram nesta vida, encontrou uma certa Neide, ou Nalva, ou Nilde, sei lá, uma mulher de uns 45 anos de idade mais ou menos. Atenção pois esta informação sobre sua idade é importante. A mulher era uma gênia. A mulher não precisava de orientações, a mulher sabia tudo. Gabi largava moldes e tecidos na mão dela e a mulher transformava todo aquele bololô em roupas belíssimas. Que sorte a da Gabi, né?

NÃO, não é.

Neide (ou Nalva ou Nilde) tinha um comportamento bastante peculiar, totalmente baseado em atitudes depressivas. Nada daquilo com que vocês já tiveram contato anteriormente, eu garanto. Certa vez meu irmão levou Gabi à casa da sujeita para entregar uns botões. Gabi entrou e ela iniciou o lamento. Conseguiu se libertar (porque Nalva/Neide/Nilde é daquela raça de deprimidos que TE PEGA PELO BRAÇO) após um tempo não determinado, mas longo o suficiente para encontrar nosso irmão dormindo no carro. No meio de uma avenida enquanto aguardava seu retorno.

A conversa padrão com Neide/Nalva/Nilde era esta:

"Oi Neide, tudo bem?"

"Olha, bem não tá não"

"Ah, sim, que bom. Bem, Neide, aqueles vestidos que te entreguei na semana passada estão prontos?"

"Olha, eram para estar, eram sim. Mas é que faz uma semana que eu só choro, sabe?"

"Hum..."

"Porque eu sento para trabalhar, mas não consigo me concentrar nas peças, pois só penso em chorar"

"Sei..."

"E quando eu começo, olha, eu choro o dia inteiro, viu"

"Que coisa..."

"Porque nada, nada mesmo acaba com essa minha vontade de chorar"

"Entendo..."

" E daí, quando minha filha me liga, as coisas pioram bastante"

"Não me diga..."

"Porque eu CHORO DE UM LADO E ELA CHORA DE OUTRO, NEM CONSEGUIMOS CONVERSAR"

".............."

"Passamos HORAS na linha chorando juntas"

"Ahn...mas....."

"E você não me entende, porque ainda é muito jovem"

"Mas eu..."

"Sim, sim, gente velha não tem nada mais a fazer da própria vida senão chorar"

"Hum..."

"É só o que me resta. Só. Para mim e para minha filha. Somos muito tristes"

"Sei..."

"Você ainda está nos "inta". Espera chegar nos "enta" como eu que você vai ver como é" [esta frase virou um clássico aqui na família. Usamos para TUDO atualmente]

"Olha, eu..."

"Você também vai chorar o dia inteiro, pode esperar. Eu ainda vou te ver passando o dia todo debruçada numa mesa chorando. É o nosso destino, este. SOFRER!"

Sim, sim, Gabi deu um sumiço em Nalva/Neide/Nilde. Ela desenvolveu em nós o medo profundo de atendermos telefonemas e passarmos HORAS chorando na linha com nosso interlocutor.

Só tem louco na rua, preciso de uma oca na taba em Caraíva.

**EDITANDO em 22/09/10 - O nome da nega é LAÍDE. Lembramos. Tamo ruim, mas ainda há célebro aqui.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dá um CROSE nela

Quando eu falo que nessa cidade onde eu trabalho acontecem coisas indizíveis, é porque AQUI NESSA CIDADE ONDE EU TRABALHO, AS COISAS QUE ACONTECEM SÃO REALMENTE INDIZÍVEIS, por favor prestem atenção.

Para início de conversa, postarei aqui uma foto minha recente. Notem que estou usando a camisa da seleção brasileira de futebol, o que indica que o retrato é de junho último. Para que aqueles que não me conhecem tenham uma visão clara, límpida da situação.

"Oeeee tudo bem? Paulinas, sua serva."

Importante frisar que sou a pessoa de nariz grande, não o filhote bicolor.

Pois bem. Estava eu aqui, circulando entre abecedanos neste estabelecimento comercial cujo nome pretendo em breve mudar para "Little Shop of Horrors" quando um cara que agia como cliente veio até mim e soltou:

"Estou te olhando desde que entrei.....e você é a dona daqui, não é?"

MEDO

"Sim, sou eu mesma"

"Eu queria te perguntar algo, mas tenho medo de que você me leve a mal."

MUITO MEDO

"Pois não, fique à vontade, pode perguntar"

(Trilha de Jaws ao fundo)

"Você é mulher mesmo? Ou é homem? É mulher de verdade ou é homem disfarçado? Entende o que quero saber?"

CHOQUE. DESORIENTAÇÃO.

"Não, não. Não entendo."

"É que eu queria saber se você é mulher mesmo ou TRAVESTI. Sabe? Mas ó: não me leve a mal, hein?"

Levar a mal um cara que entra na minha loja e me pergunta se meu nome é Valdemar? Má nunca!

Este ABC Paulista me mata lentamente.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Atkins who?

O bom das minhas conversas com a Red é que elas são sempre muito produtivas. Somos capazes de fazer qualquer assunto banal descambar a partir do momento em que perdemos o foco e introduzimos fantásticos planos para dominar o mundo em nossos diálogos. Hoje o tema foi "dieta mágica e indolor".

Meio da tarde, estávamos ambas ocupadíssimas, exercendo atividades competentes aos altíssimos cargos que ocupamos em nossas respectivas empresas, quando engatamos um papo inocente sobre coisas que somem, motoboys e outras amenidades via messenger. E eis que perdemos o tal do foco e prontamente o conteúdo de nossas janelas ficou mais ou menos assim:


Red diz: Restringirei minha alimentação até me internarem por desnutrição


PaulaScarcelli diz: Eu to pensando em fazer isso também, viu. Dar um ramadan nonstop daqui até, sei lá, MAIO do ano que vem, quando eu já estarei cinza por falta de nutrientes


Red diz: Isso, parecendo fugitivas de campo de concentração


PaulaScarcelli diz: frequentadoras da Praça da República, setor de drogas. AIDÉTICAS.

Red diz: Isso. Procurarão por picadas em nossos braços ou outros sintomas de vício em substâncias tóxicas pesadas.


PaulaScarcelli diz: Pessoas terão a impressão de que acabamos de cavar nossos túmulos de dentro para fora. Ficarão esperando que digamos "BRAAAAINS".


Red diz: E não faremos isso, pois não sentiremos fome e não comeremos cérebro. Viveremos apenas de... sei lá...ar


PaulaScarcelli diz: Faz sentido. Sem brains. Está decidido. Viveremos de ar então. Pq esse negócio de viver de luz é muito Baby Consuelo pro meu gosto.


Red diz: Ar e alguns alimentos interessantes de vez em quando.



PaulaScarcelli diz: Sim. Alimentos interessantes de 7 em 7 dias. Me parece um bom intervalo.

Red diz: Usaremos manequim 34. Com cinto. Porque a calça VAI cair


PaulaScarcelli diz: E colocaremos uma legging por baixo para dar volume.


Red diz: Não poderemos fazer acupuntura, por falta de carne para espetar.


PaulaScarcelli diz: Inclusive marcaremos a consulta mas não seremos atendidas porque o japonês não nos enxergará sentadas na cadeira atrás do vaso de bambu.


Red diz: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA


PaulaScarcelli diz: Olha, eu acho que 2 litros de água e um tomate tá ótimo. Gente perdida no matagal vive com menos que isso por meses. E gente perdida no Himalaia, NEM TOMATE TEM.



Red diz: Verdade. E eles vivem, não vivem?


PaulaScarcelli diz: VIVEM ATÉ DEMAIS.

Quer dizer: tá com alguma dúvida relacionada à nossa galáxia ou não? Liga pra gente. Desenvolveremos o tema com carinho para você.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Salve o Corinthians

Porque em dia de Centenário, acho fino reiterar que aqui é Corinthians, né. Salve o Timão, Salve o Gigante. E olha que era para eu estar no Anhangabaú mandando beijo pro William, viu.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Conclusões Caraivanas

Gabi, minha irmã, caminhava por Caraíva alguns anos atrás quando decidiu sentar-se à beira do rio. Estava lá de bobeira, babando, quando uma local muito nossa amiga cujo nome não citarei mas quem a conhece provavelmente associará o nome à pessoa, aproximou-se bufando e sentou-se a seu lado:

"Olhe Gabi aqui nessa cidade é assim: se engordou é porque está grávida. Se emagreceu é porque está DE AIDS"

Porque tem certas coisas que a gente só conclui com a ajuda de um nativo mal humorado, né.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Máximas - Conversa de gente boazinha/Conversa de gente lelé

No último sábado fui a um almoço na casa da chefe dos desvairados do Brasil, onde foi reunida toda a turma da trombada da faculdade onde estudamos nos anos 90 do século 19.

Reproduzirei uma sequência de diálogos que resume a essência deste povo problemático que participou de minha vida acadêmica. Vamos lá:

Primeiro Ato - conversa entre Eu e Pessoa 1. Pessoa 2 observando.

P1:"Mas Paula, você não se lembra mesmo de Fulana?"

Eu: "Não, de jeito nenhum." [Pombas, eu terminei a faculdade há 14 anos]

P1: "Estranho, você deveria se lembrar.....ela chamava atenção devido a uma característica peculiar."

Eu: "Que característica?"
[Pensando: loura? Ruiva? Alta? Italiana? Puta? Burra? Drogada? Hippie? Fanha? Moicana? Caloteira? A da bolsa LINDA? etc]

P1: "Ela é meio feia..." - MEIO FEIA.

P2 em acesso de riso.

Segundo Ato - Emendam a conversa Eu e Anfitriã. Pessoa 2 permanece observando.

A: "Paula, você já viu a Maria Fernanda acordada?"
[Maria Fernanda é a criança neta de Anfitriã, que tirava uma sonequinha nos aposentos superiores]

Eu: "Não, ainda não vi. Me avise quando ela estiver aqui."

P2: "Maria Fernanda Acordada? Não me lembro dessa....Ela se formou em jornalismo ou publicidade?"

OU SEJA...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Máximas - Tomou um doce e foi postar no Facebook

Minha irmã acabou de me mandar a seguinte mensagem via wall do Facebook. Por favor, reflitam sobre a quantidade de substâncias tóxicas presentes na corrente sanguínea desta cidadã no momento. Copiei o diálogo. Apreciem-no:

Gabriela Scarceli - Paula Scarcelli: paula, o q foi q eu te liguei pra perguntar quem era alguém ou alguma coisa esses dias, q vc teve uma crise de riso pq tava com a sam no telefone??

20 minutes ago · Comment ·LikeUnlike · See Wall-to-Wall
Gabriela Scarceli ahhhhh!!! lembrei na sequencia: do bicho q tem corpo de gente e perna de carneiro e toca flauta

Na minha opinião, não há dúvidas. É ácido mesmo. Diluído em água de privada.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Do século passado essa aqui

No último final de semana decidi fazer um retiro e estava assistindo TV no sábado à noite, atividade que não aconselho. Aconselho ir para o bar, que fique claro. Bem, lá estava eu, inadequadamente assintindo à programação fué do sábado quando me deparei com o Pepeu na tela. Instantaneamente aquilo que ainda resta de minha memória entrou em atividade me fazendo recordar do último reveillon que passei no Rio de Janeiro.

Era a virada de 98 para 99, se não me engano. Não sei, não lembro, mas também, nego que VIRA O SÉCULO em vida não tem como traçar uma linha temporal 100% confiável, vamos falar o que é verdade, né. Mas acho que foi, já que do ano 2000 eu me lembro e este foi em Angra. Eu acho. Bom. Dane-se.

Reveillon de 1998, a grande máfia estava reunida no Rio, fomos todos convidados para uma linda festa em um dos lugares mais exclusivos da Avenida Atlântica, Copacabana.

Começou que amiga Sam tomou um sol errado no dia 31 e às 8 da noite ela tinha a coloração da pantera cor de rosa, mas mais marca texto, sabe como é? Aquele rosa mais FOSFORESCENTE, digamos assim. E apresentava sintomas de insolação, olha o vexame. A pessoa é carioca de nascença, de pai e mãe, de família do tempo do Império que veio parar aqui na caravana do rei, e me dá uma dessa. Pois bem. Tudo indicava que ela 'contraíra' insolação passaria a noite bem mais sóbria que o resto da população local, o que de fato ocorreu. Por isso inclusive que temos detalhes desta festa, os quais jamais chegariam às nossas mãos se o acidente solar não houvesse acontecido. Claro que não podemos nos esquecer que Sam trajava seda pink chiquérrima, mas o efeito da roupa foi anulado pelo tom de sua pele e ela, vestida de rosa shocking, parecia estar pelada. Enfim.

Eis que chega a hora da festa. Nos acomodamos em nossos táxis com destino à Nossa Senhora de Copacabana, já que a Atlântica fica interrompida do começo da tarde do dia 31 até o fim do dia 1 de janeiro, E FOMOS.

A festança em si transcorreu como o esperado. Tudo lindo, tudo perfeito, tudo animado. E daí chegou aquele horário em que o povo começa a entortar. Uma de nós perseguiu um sueco - ou finlandês, ou dinamarquês, não me lembro - durante a noite toda. Outra deu um show de samba quase que sobre uma mesa de centro em uma saleta onde estavam sentadas a mãe e a avó do dono da festa. APENAS A MÃE E A AVÓ. E ela lá, SAMBANDO. Uma outra, cujo nome não revelo nem sob tortura, babou em seu vestido prateado tudo aquilo que tentou beber da meia noite em diante. E foi dançar com o finado e saudoso Jorginho Guinle, derrubando algumas taças em seu smoking também. E com o Carlinhos de Jesus, notem o grau da coisa toda. Fora o rabo de cavalo da criatura que parecia um gambá morto arremessado de longe em direção à sua cabeça. Triste, meu filho.

Teve uma que dormiu em cena e a Sam lá: firme, forte, sóbria e vendo TUDO. Foi quando ela notou a presença de Pepeu que tinha ido à festa acompanhado de Kryptus Rá e de Zabelê. E notou também nossa comandante chefe do Rio de Janeiro andando atrás dele na festa e cantando:

"Eu e Pepeeeeeeeeu, ele e eu"

Ininterruptamente.

E Pepeu tentando nitidamente se desvencilhar daquilo. Ingênuo esse Pepeu.

(Antes que alguém taxe a stalker de Pepeu de psicopata, quero deixar claro que ela é uma amiga da família, de Baby, de Sarah Sheeva, pelo amor de Deus. Somos bêbadas, não perseguidoras de guitarristas e derivados)

Acabou que às 8 horas da manhã decidimos ir embora e ao sair do elevador e atravessar os portões do edifício rumo ao táxi que nos esperava na avenida, encontramos Pepeu, ali, sem rumo, sem táxi, perdido. Éramos 5 pessoas, já que a sambista do living room não quis aguardar o táxi e pegou uma carona com um camburão que estava indo para o Leblon, e achamos absolutamente viável invadirmos o táxi e ainda lançarmos Pepeu, Zabelê e Kryptus Rá no carro conosco.

Claro que o taxista quase entrou em colapso e queria matar um por um, mas não houve muita saída senão nos levar até o Leblon, OITO pessoas no carro e a criatura cantando "eu e Pepeeeeeu, ele e eu" no último estágio alcoólico que um ser humano pode chegar antes do óbito. E todos nós acompanhando o sing a song da maluca, inclusive Pepeu.

Olha, não me perguntem onde Pepeu e os filhos ficaram. Posso informar que foi em algum local entre o Copacabana Palace e o Baixo Leblon, onde encostamos o carro para desovar mais duas sobreviventes e ainda atendemos um orelhão na Ataulfo de Paiva que tocava para um certo JOEL. Este telefone tocou umas 5 ou 6 vezes e só sei que saímos pela rua gritando: "Joel!!! Joel!!!" - à procura do cidadão. Joel foi encontrado e todo mundo sabe que eu tenho um amigo imaginário, né? Vocês acham que ele foi batizado por causa de quem?

De alguma maneira chegamos vivas à Delfim Moreira, não sem antes encontrar a pessoa que pegou carona com os policiais saindo do camburão ali na Rua Rita Ludolf.

Povo descompensado, a gente vê por aqui. E não é de hoje.